Reclamação pública na internet – Responder, ignorar ou outra coisa?

sexta-feira, 06/07/12

Algum tempo atrás eu vi um artigo do Marco Gomes, fundador da Boo-Box, uma das startups mais bem sucedidas do país. O artigo tinha um título que começava polêmico: “Marca não deve responder reclamações públicas nas redes sociais“.

Sabemos que o Brasil já está com a marca de 80 milhões de internautas, ainda estamos um pouco longe de ter todos os habitantes como internautas, mas estamos chegando próximos da metade. Uma quantidade tão grande de gente acessando a internet significa um número enorme de pessoas que procuram por marcas na internet.

As marcas são frágeis. Elas podem ter 1 funcionário ou terem milhares de funcionários espalhados pelo mundo, mas ainda assim são frágeis. Não estou nem falando no quesito econômico, onde as ações sobem e descem todos os dias, estou falando das marcas na cabeça de seus consumidores.

Por isto que tanto se defende a ideia de que as empresas devem ser boas com os seus seguidores e fãs, devem responder prontamente, buscar soluções rápidas, entregar uma Coca-Cola gelada com limão e gelo, sem falta! Eu sinceramente acho que temos que cuidar para não chegar a tanto, acho que muita gente compartilha da mesma ideia.

Fazer reclamações online Reclamação pública na internet   Responder, ignorar ou outra coisa?

Mas agora entramos na questão tão polêmica trazida por Marco Gomes. Quando uma pessoa reclama de sua marca nas redes sociais, principalmente onde se tem muita visibilidade, como Facebook e Twitter, uma resposta mal dada pode significar um dor de cabeça maior ainda. Mas deixar que os seus consumidores usem o Twitter da sua empresa como um SAC 2.0 é complicado, você acostuma as pessoas a estarem sempre procurando você por ali. Pelo menos é o que Marco acredita.

Eu acredito que realmente é complicado fazer com que as publicações na linha do tempo se tornem um muro das lamentações, como ele mesmo chama, afinal, uma troca de mensagens dessas vai acabar atormentando os usuário que nada a ver tem como o problema. Claro, a situação pode ser ainda pior quando aquela troca de comentários abre espaço para que outras pessoas com o mesmo problema (ou outros) usam o canal aberto para “soltar os cachorros”.

A principal questão sobre o SAC 2.0 é que este tipo de atendimento cresceu sem planejamento prévio. O cliente que se comunica pelos canais oficiais e não é atendido, recorre às redes sociais, expressando seu caso abertamente e consegue, na maioria das vezes, uma solução imediata, o que os condiciona a usar este canal. Uma opção é sempre que surgir uma reclamação aberta, incentivar que o cliente se manifeste através de canais oficiais, que sejam privados e seguros.

Trecho do artigo que esta publicado no Proxxima

Bom, eu concordo com Marco. Acho que nesses casos precisamos trazer “o reclamão” para um lugar privado, onde você pode entender melhor o contexto do problema e não ficar a merce de chantagens como “ou me responde ou vou xingar muito no Twitter”. Este lugar pode ser DM, mensagens privadas, email, telefone, onde for melhor, onde você consegue controlar melhor os efeitos.

Queria saber o que vocês acham. Devemos priorizar a velocidade nas respostas ou a segurança de um local privado?

Quem quiser ler o artigo do Marcos Gomes, segue o link >>

 

  • http://marcogomes.com marcogomes
    Obrigado pela excelente análise do meu artigo! Gostei muito de ver suas reflexões aqui :)
    • http://www.dennisaltermann.com.br/ Dennis Altermann
      :)
  • http://twitter.com/claytonrocha Clayton Rocha
    Optamos pela segurança de um lugar privado. No final das contas, se é privado ou público, o importante é a empresa mostrar que está disposta a resolver o problema do consumidor. O que muitas vezes não se vê por aí.
    Parabéns pela reflexão!
  • http://www.dennisaltermann.com.br/ Dennis Altermann
    Justamente Jaciele. Acho que a internet tem proporcionado essa aproximação dos clientes e pessoas, mas as empresas tem que cuidar ao responder publicamente tudo para não criar ainda mais atrito. Muitos consumidores estão cientes da força que uma postagem pública tem e podem tentar usar isso contra a empresa, então é mais a questão de a empresa cuidar e se preparar.
  • Thiago Assis
    Provocação brilhante… A questão é realmente complexa pois, sob a ótica da empresa, ela tem mais a perder do que a ganhar. Além do aumento da exposição negativa de sua marca, a empresa precisa construir um novo canal, muitas vezes, em detrimentos dos canais atuais.
    Por outro lado, quando um cliente reclama online, ela faz isto não apenas pela comodidade (afinal, é mais fácil enviar um twitter do que ligar p/ um 0800), mas, também para mostar para a empresa que ele não está satisfeito com as soluções apresentadas.
    A solução p/ este imbróglio não é simples, afinal, os interesses são muitos.
    []s
    Thiago
    E-Consulting
  • http://profiles.google.com/kittybhank Daniela Mattos
    Penso que não responder questionamentos públicos no mesmo ambiente pode gerar incertezas. Os demais clientes que por ventura lerem as reclamações não saberão o desfecho daquele caso. Se a  empresa nunca se pronuncia publicamente, podem achar que tem algo de errado mesmo e que ela não quis assumir.

    Além disso, acredito que o melhor é responder pelo canal em que o cliente entrou em contato. Tem acontecido cada vez mais de as pessoas não usarem emails, de quererem resolver tudo onde elas estão, seja no Facebook ou no Twitter e, nestes casos, indicar outro canal pode ser desrespeitoso. 

    Como no atendimento presencial, nunca sabemos se o cliente quer só escandalizar os demais, ou realmente resolver um problema. Seja qual for a sua intenção, acredito que o papel da empresa seja atendê-lo prontamente manter a transparência no tratamento das situações que surgirem.

    É claro também que certas situações vão exigir mais tempo, ou troca de informações que exijam privacidade, nesses casos eu costumo explicar tudo que será feito, assim o cliente entende que precisa mudar o canal de contato para resolver a questão. Se ele quiser só fazer barulho, não vai adiante e ficará claro para os demais que a empresa tentou. Muito bom o tema, parabéns, Dennis! :)

    • http://www.dennisaltermann.com.br/ Dennis Altermann
      Pois é, mas a questão não é exatamente “não responder” (ou deixar no vácuo), é responder prontamente, mas convidado a pessoa para um local onde você tenha mais espaço para explicar e entender a situação. Sabemos que a grande parte dos consumidores ainda reclama mesmo sem ter exatamente razão, isto iria só motivar outros a fazer o mesmo.
  • Marcos Borsoi
    Eu acho que esse conceito não se aplica bem a empresas em formação. As pessoas procuram muito saber em mídias sociais quando a empresa não tem ainda uma marca consolidada. Na minha opinião é importante o esclarecimento público nestes casos.