What’s app (e amigos) não ameaçam operadoras? Vamos analisar melhor.

Alguns dias atrás estava navegando pelo Google Reader, quando me deparei com a seguinte notícia: “WhatsApp diz que não ameaça telefônicas“. Para quem não conhece o What’s App, é uma tecnologia simples, mas muito eficaz. Basicamente, com este aplicativo você manda mensagens pela internet de um celular para o outro. Porque ele é diferente de um MSN? Porque ele é vinculado diretamente ao seu número de celular, sendo um substituto direto do SMS.

Claro, existem vários outros serviços semelhantes, que utilizam tecnologias semelhantes para a mesma função, como o Viber, Voxxer, Blackberry Messenger, iMessenger, Samsung ChatOn e tantos outros. Alguns destes oferecem texto, outros áudio e alguns oferecem ambos. O What’s App, neste segmento, é o mais popular por estar disponível em várias plataformas e também por ser simples e acessível. Atualmente é um dos aplicativos mais baixados em todos as plataformas que esta presente.

Bom, agora que você sabe sobre o que este aplicativo faz, agora vamos a fala do co-fundador do What’s App:

“I view it from the perspective that we’re facilitating a broad movement to data plans and the entities that provide those plans are the carriers, so they stand to benefit quite substantially. It’s all about the data,”

“Eu vejo por uma perspectiva de que estamos facilitando o amplo movimento para o plano de dados e as entidades que fornecem estes planos são as operadoras, então eles estão se beneficiando substancialmente. É tudo sobre plano de dados.”

Então todas aquelas pessoas que estão dizendo que o SMS está morrendo, aquelas (como eu) que praticamente usam apenas What’s App (e semelhantes) ao invés do SMS e todas aquelas pesquisas mostrando que o número de envios de SMS está baixando em alguns países é tudo mentira? Não, é isso mesmo. Brian Acton, co-fundador do What’s App, apenas não quer se responsabilizar pela morte de alguém (ou melhor, de alguma tecnologia).

Ele não pode se responsabilizar pela morte de algo, mas seguindo a lógica e vendo vários serviços semelhantes, podemos ter certeza que este é sim o futuro.

Mas e as operadoras, como elas ficam em relação a isso? Ao que tudo indica as operadoras já sabem da ‘morte’ do SMS a muito tempo mesmo, muito antes do que podemos imaginar. Elas não estão realmente ameaçadas, estão apenas sabendo que o seu mercado está mudando e em um futuro próximo vamos ver pessoas tendo acesso a internet móvel, podendo optar em não usar o SMS e talvez até parando de fazer ligações. As operadoras, portanto, tendem a se transformar em grandes provedores de internet, vai caber a elas investir em outros negócios ou não.

Não podemos nos esquecer que as ferramentas estão cada vez melhor, então o What’s App é apenas o primeiro de muitos, porque não podemos esquecer que na maioria dos celulares já temos ferramentas como Skype, Gtalk, Facebook Messenger, MSN e várias outras ferramentas antigas, que ainda estão começando a se adaptar a realidade da internet móvel.

Se as operadoras vão apenas ter internet para vender, será que a internet vai ficar mais cara? Essa é uma questão que eu pelo menos sempre levantei, sempre questionei se não é possível de acontecer. Mas pensando bem, sabemos que a internet no Brasil ainda é muito cara, mas apenas para o usuário, porque para as operadoras ela é barata e por isso lucram tanto. Então a internet pode virar, cada vez mais, o produto principal das operadoras, mas a conexão é tão barata para eles que não teria porque o serviço ficar mais caro, no máximo vai mudar poucos nos próximos anos.

O que falta para substituir totalmente os SMS e ligações por aplicações como o Skype? São basicamente 3 pontos complicados:

  1. Evolução da rede de conexão;
  2. Acesso a tecnologia;
  3. Fragmentação dos serviços;

A rede no Brasil ainda é muito limitada, existem muitos pontos que não tem conexão 3G e quando tem, são ruins. E se contar que, usando conexão 3G, provavelmente  você não vai conseguir utilizar recursos de áudio e vídeo, apenas texto. Talvez, daqui alguns anos, se evoluirmos muito mesmo, podemos ter tecnologias LTE e 4G bem mais acessíveis (tanto em acesso como em preço).

O acesso a tecnologia ainda é muito pequeno também. O acesso a smartphones e tablets está em crescimento frenético no Brasil, isso muda tudo, mas temos que lembrar que cerca da metade da população ainda não tem qualquer acesso a internet, muito menos internet móvel, smartphone ou tablet.

E a fragmentação dos serviços. Eu uso What’s App, mas meu amigo usa Viber; Outro tem apenas o BBM (Blackberry Messenger); Aquele fica online no MSN, apenas; Você entende o problema? Se a gente quiser estar sempre acessível, teríamos que ter vários serviços abertos no nosso telefone, sempre online, sempre disponível, mas sabemos que não é tão simples.

O futuro não guarda nenhuma surpresa porque usar o SMS ainda é ‘mais seguro’, já que depende apenas se o aparelho está ligado para receber, não depende se ele está conectado na internet. Mas isso pode mudar quando, em um futuro utópico, tivermos internet em qualquer localização e qualquer aparelho de smartphone.

PUBLICADO POR

Dennis Altermann

Fundador-Editor aqui no blog Midiatismo, trabalhando com marketing digital na DuPont Pioneer do Brasil. Entusiasta e estudioso nas áreas de comunicação, cultura, comportamento e tecnologias digitais.

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