Internet e Design Gráfico. Entrevista com Rudinei Kopp

Esses dias me veio um assunto, fiquei pensando sobre a relação entre o design gráfico e a internet. Não me refiro apenas ao webdesign, mas do design como um todo, do mais tradicional até o mais moderno, a profissão, que assim como várias outras, acaba tendo relação direta com a internet hoje em dia.

Enquanto pesquisava, pensava e escrevia sobre o assunto, percebi que seria melhor alguém que já trabalha na área e viu este mundo digital crescer para falar sobre tudo isso. Na hora lembrei de Rudinei Kopp que já foi meu professor na UNISC e é autor do livro “Design gráfico cambiante“.

Midiatismo – Qual você acredita ser a principal influência da internet no design gráfico?

Rudinei Kopp – Se considerarmos as facilidades que a internet oferece como disseminadora e aglutinadora de informações a influência é enorme. O acesso a muitos recursos ficou mais fácil e a troca de experiências da mesma forma. Rapidamente, qualquer um pode ter acesso a tutoriais, fontes gratuitas, layouts produzidos por designers conhecidos ou anônimos como referência e assim por diante.

Por outro caminho, podemos pensar se haveria uma “estética” típica da internet que poderia, de alguma maneira, servir como influência para o design gráfico. Penso que há mais anos isso até era bem visível. Havia muitas publicações e peças tentando imitar a forma como as páginas eram organizadas, por exemplo. Hoje há mais clareza sobre o que constitui visualmente cada mídia e, na verdade, o que percebemos é uma presença muito clara na web dos fundamentos clássicos do design gráfico.

Design Gráfico Cambiante, livro de Rudinei Kopp

Design Gráfico Cambiante, livro de Rudinei Kopp

M – A facilidade de conseguir fontes, programas, vetores e trabalhos prontos, criou uma legião de “designers” e “publicitários” qu

e na verdade são formados em outras profissões?

RK – Esses movimentos são constantes. Quando os primeiros computadores equipados com softwares para editoração se tornaram mais acessíveis também se falava muito nisso. O tempo vai situando o lugar de cada profissional nesse processo. A publicidade é uma área dinâmica e, no final das contas, seleciona aqueles que encontram, a médio e longo prazo, as melhores soluções em comunicação para o mercado. No curto prazo sempre fica essa sensação de “invasão”.

M – Você acha que ferramentas como blog e Twitter facilitam a vida de quem trabalha com design? E para você, são melhores ou piores que os livros?

RK – Facilitam sim. Só penso que possamos consumir essas informações com menos superficialidade. Observar as coisas com um pouco mais de profundidade pode fazer a diferença entre quem segue e entre quem produz seguidores. Livros não são, a princípio, nem melhores nem piores do que sites, revistas, blogs etc. Cada uma dessas formas tem características relacionadas a credibilidade, nível de atualidade e relevância, qualidade de imagens, entre outras, que devem ser observadas.

M – Com a facilidade de se conseguir informações e referências, você acha que tornou o processo do design gráfico “mais fácil”? Em sua opinião, este fato aumentou ou diminuiu com a cópia?

RK – Tecnicamente está mais fácil trabalhar com design, mas isso gerou uma falsa sensação de que se trata de algo fácil e rápido. Felizmente, para quem trabalha nessa área de forma séria, não é bem assim e ainda é necessário investirmos um bom tempo planejando, produzindo e finalizando essas peças. A não ser que se considere a aplicação de padrões prontos como design profissional e eficiente. Daí tudo é rápido, fácil e qualquer um pode ser designer ou publicitário. O papel de quem trabalha profissionalmente é fazer com que o design original faça alguma diferença para o seu cliente.

Facilitou a cópia na mesma medida que nos fez perder a dimensão disso. Há muita coisa sendo produzida e replicada o tempo todo numa velocidade não experimentada até então. É interessante vermos referências de décadas passadas sendo usadas com muita naturalidade como se a sua fonte de origem fosse simplesmente o “Google”. É como se a presença de uma imagem ou arquivo na internet fizesse-os perder seus direitos autorais e o contexto de aplicação.

M – Levando em conta que cada dia surge novas plataformas para as marca usarem, você acredita que o profissional que está se formando hoje é mais multiplataforma? E os que estão se formando, estão preparados para essa realidade?

RK – Não conheço a realidade de todos os formandos do país e por isso minha observação pode ser muito limitada.

Acredito que, formalmente, a maior parte dos currículos está sempre um pouco atrás do mercado. O que a maioria dos professores faz é completar essas questões de caráter curricular inserindo discussões, cases e exercícios que contemplem essas ações e plataformas. O conhecimento constituído e sedimentado exige tempo e observação e nem sempre isso acontece quando estamos vivendo o fenômeno.

A principal característica que o profissional deve ter para entrar bem no mercado depende muito mais da sua capacidade de continuar aprendendo, de conseguir se adaptar, de não ficar preso apenas ao conhecimento formal ou técnico. Quem entrou numa graduação há quatro anos, por exemplo, já notou o surgimento e o desaparecimento de algumas ditas “revoluções” na web. Isso vai continuar acontecendo por tempo indeterminado. O conceito-chave nunca deixará de ser a capacidade criativa de cada um para encontrar formas de se comunicar com seus públicos.

M – Como professor acadêmico, você incentiva seus alunos a buscarem ferramentas dentro da internet? E/ou também lhes indica sites e blogs sobre design gráfico?

RK – Eu mais troco informações de indicações do que simplesmente indico. O tempo todo tem alguém apresentando alguma coisa interessante. Daí faço questão de tornar público no meu blog, em sala de aula, em conversas pelos corredores, em qualquer lugar. Tenho procurado, para o meu consumo, manter uma atualização constante através de algumas fontes que considero mais confiáveis e bem atualizadas, mas não dispenso e não deixo de indicar publicações impressas consagradas e, ainda, fundamentais para termos uma boa ideia do mundo do design.

PUBLICADO POR

Dennis Altermann

Fundador-Editor aqui no blog Midiatismo, trabalhando com marketing digital na DuPont Pioneer do Brasil. Entusiasta e estudioso nas áreas de comunicação, cultura, comportamento e tecnologias digitais.

Novidades e atualizações, direto em seu e-mail