A internet representa o fim do que está no meio, não no final.

Quando a TV surgiu, todos falaram que o rádio iria morrer. Quando a internet surgiu, todos falaram que a TV iria morrer. Quando surgiram os blogs…. blah, blah, blah, etc. Essa conversa todo mundo já está acostumado a ouvir, todos já entenderam que as mídias não morrem, elas se modificam de acordo com a situação. Talvez alguma possa morrer, mas isto é um caso muito específico que eu realmente acredito que seja improvável demais para valer uma discussão agora.

Ok, internet não está matando nada, mas está mudando alguma coisa, né? Sim, a internet está mudando a forma como algumas coisas funcionam e ai que está o X da questão. Algum tempo atrás vi um texto no Blog Mídia 8, do nosso amigo Cleyton Torres, onde ele falava que “a internet vai acabar com o papel, não com o jornalismo“. É justamente o que estou tentando dizer aqui, mas não apenas na área do jornalismo, é em tudo.

Um tempo atrás resolvi jogar um jogo no computador, mas não tinha nada interessante e resolvi dar uma pesquisada. Acabei caindo no Steam, serviço de “gerenciamento de direitos digitais“, que nada mais é do que uma plataforma criada pela Valve na tentativa de combatar a pirataria de jogos. Resumindo um pouco, através deste serviço você pode comprar diversos jogos de grandes empresas e baixá-los diretamente no computador, sem precisar de CD, caixa, manuais, etc. Os jogos, que ficam armazenados em sua conta, não são distribuídos fisicamente, o que torna eles mais baratos, e também não disponibiliza os arquivos de instalação, o que impede a pirataria. Além disto, ele oferece toda uma plataforma de comunidade em cima dos jogos vendidos.

E você conhece a Netflix? Um serviço que oferece filmes através do sistema “on demand” (sob demanda), ou seja, você pode assistir online os filmes que você quiser pagando apenas uma taxa mensal. Você não tem mais uma mídia para ser distribuída, é tudo online (sim, eu sei que eles também tem serviço de entrega de mídia). A vantagem não está apenas no preço, mas na comodidade de você poder assistir em qualquer aparelho, sejam TVs, computadores, tablets, smartphones… está em todos os lugares. Claro que este mesmo sistema existe para filmes, seriados, músicas, etc, basta procurar por Hulu, Spotify, etc.

Ok, tudo isso é muito legal, mas o que isso tem a ver com o fim dos meios? Você deve perceber que a internet não acabou com o seu jornal, com o seu filme, seus jogos ou qualquer outro entretenimento semelhante, ela apenas está ajudando a mudar a forma como eles chegam até você. O problema da internet então não é com o produto final, mas no que está entre você e ele. Quem realmente está sentindo ou vai sentir o peso da internet são as produtoras que distribuem as músicas/filmes, as lojas que vendem jogos, as distribuidoras que espalham esta mídia pelo mundo com uma taxa financeira.

A internet também está mudando diversas outras coisas, mas de outras formas, mas hoje a discussão é realmente a questão de como o conteúdo é distribuído. Também devemos estar ciente que todas estas transformações da internet ainda são “pequenas” porque sabemos que muitos destes serviços não são ofertados em todos os países e nem todos os internautas tem uma internet  realmente boa para conseguir utilizar qualquer um deles.

Agora a próxima vez que você ouvir “A internet está acabando com a indústria musical!!” você tem algumas coisas a mais para pensar.

PUBLICADO POR

Dennis Altermann

Fundador-Editor aqui no blog Midiatismo, trabalhando com marketing digital na DuPont Pioneer do Brasil. Entusiasta e estudioso nas áreas de comunicação, cultura, comportamento e tecnologias digitais.

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