A internet é fonte de informações, não de notícias. Mas será uma fonte confiável?

Eu sei que pode parecer um pouco contraditório falar assim, mas a internet deve ser considerada uma fonte para você coletar informações. Não ache que a internet é uma “fonte de notícias”. É aquela máxima “jamais deposite toda a sua confiança em algo que você viu na internet”.

Sabemos que falsificar imagens é algo cada vez mais fácil, algo que já foi atribuído a grandes mestres do Photoshop e hoje é feito por crianças de 10 anos com um tutorial pronto. Emails falsos também não são nenhuma novidade, há diversas mensagens circulando por ai que nem sempre querem fazer o mal, querem apenas se divertir com a burrice alheia. Não é atoa que sites como o E-Farsas, que recomendo você conhecer, vive descobrindo as mais simples e às vezes as mais complexas peripécias do mundo moderno.

Não podemos nos esquecer dos diversos sites de humor que existem e adoram se divertir com a falta da verdade, como o Bairrista (faz muito sucesso aqui no RS), o Sensacionalista e algumas brincadeiras pontuais como a do blog Não Salvo que matou o Seu Barriga (essa eu presenciei ao vivo, direto da CPbr). Infelizmente muita gente recebe essas notícias pela metade, dai vira aquele telefone sem fio. “Vi no Facebook do Fulano que o Ciclano disse que o Seu Barriga morreu.”. Dai quando vê, as pessoas perderam a fonte e estão simplesmente repassando uma mentira.

Resolvi escrever sobre essa questão depois de ver o post “How we screwed almost the whole Apple community” (ou, “Como nos avacalhamos praticamente toda a comunidade da Apple”), onde uma empresa Sueca de motion graphics acabou gerando pauta para uma notícia falsa que se espalhou rapidamente pelos principais blogs de tecnologia do mundo. Sabemos que a Apple é uma empresa enorme, então qualquer rumor sobre ela se espalha rapidamente.

Neste post eles falam um pouco sobre o ocorrido, mas principalmente, trazem a imagem abaixo que deve fazer você pensar um pouco. Eles começam o texto questionando aquela velha frase “Se está na TV é verdade” e como hoje em dia nós pensamos que, por estar na internet, somos mais espertos. Mas isso não é necessariamente verdade.

Quanto maior a distância da fonte, menor a chance de ser uma informação confiável. É o famoso telefone sem fio.
(Clique para ampliar)

Mas o grande problema dessa questão não está em achar que a internet é uma fonte segura ou não, mas sim entender que a internet é fonte de informações, não necessariamente de notícias. Se formos analisar o contexto, vamos perceber que quando as pessoas falavam “Se está na TV é verdade” é justamente porque aquela mídia tinha um “compromisso com a verdade” e noticiar qualquer informação era algo a ser confirmado, sem contar que ela passava por várias pessoas até ir para o ar. Também podemos considerar o fato de que se a notícia era falsa, poucas pessoas iam ficar sabendo disso depois, então iam acreditar naquilo para sempre. Até podemos questionar aqui o que é “verdade”, já que sabemos que qualquer mídia tem seus interesses e seu nível de manipulação, mas essa discussão eu deixo para outro dia.

Então, o que TODOS nós precisamos entender é que a internet é uma fonte de “informações questionáveis”. Você pode afirmar algo e dizer que você viu na internet, mas você não pode dizer que algo é verdade porque você viu na internet. Toda informação é tendenciosa, depende da gente como vamos repassar ela adiante.

Também precisamos entender que a internet é uma mídia de muito mais velocidade do que qualquer outra, algo próximo do “tempo real”. Esse fator do “instantâneo” faz com que os grandes portais de notícias lutem para ver quem vai publicar primeiro sobre determinada notícia. Essa pressa de publicação aliada a falta de confirmação de fonte levam o jornalismo online para o patamar de “apenas informação”.

De agora em diante, tudo que você ver publicado em algum lugar (mesmo aqui no Midiatismo), questione, confirme, reflita. Nos meios digitais tudo é facilmente distorcido e modificado.

PUBLICADO POR

Dennis Altermann

Fundador-Editor aqui no blog Midiatismo, trabalhando com marketing digital na DuPont Pioneer do Brasil. Entusiasta e estudioso nas áreas de comunicação, cultura, comportamento e tecnologias digitais.

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