O que exatamente é, onde surgiu e como definir o termo “meme”?

Desde o surgimento do “Luiza, que está no Canadá“, o termo “meme” começou a ganhar mais destaque, principalmente pelo fato de a “comunicação mais popular” ter incorporado e tentado explicar o que exatamente era essa “piada”, “brincadeira” ou seja lá a denominação que deram para o ocorrido. Apesar do termo ser bem conhecido pelo nome, poucas pessoas sabem realmente definir o que é um “meme” ou mesmo sabem a sua origem.

Para tentar explicar da melhor forma as questões, peguei algumas referências neste assunto, o site americano Know Your Meme e o brasileiro Youpix. A forma mais rápida e simples de explicar o que seriam os “memes” é usar o primeiro parágrafo do WIkipedia americano sobre o assunto, que diz:

The term Internet meme is used to describe a concept that spreads via the Internet. The term is a reference to the concept of memes, although the latter concept refers to a much broader category of cultural information. The earliest known usage of meme is in the book The Selfish Gene by Richard Dawkins published in 1976.

Que pode ser traduzido como:

O termo “meme da internet” é usado para descrever um conceito que se espalha na internet. O termo é uma referência ao conceito de memes, embora seu conceito se refira muito mais a uma categoria da cultura da informações. O uso mais antigo conhecido é do livro “The Selfish Gene” (O Gene Egoísta) por Richard Dawkins, publicado em 1976.

Portanto sabemos que ao usar a palavra “meme” estamos falando de algo que se espalha através da internet, semelhante ao viral, apesar de que o seu significado também pode ser atribuído a um conceito um pouco mais antigo e que não tem relação direta com a internet (pelo menos não tinha na época).

Segundo o recente post do Youpix, no livro “O Gene Egoísta“, Dawkins define um “meme” como “uma unidade de evolução cultural” que se propaga de indivíduo para indivíduo. Ou seja, podemos dizer que, segundo esta definição, qualquer conhecimento relacionado a cultura que possa (ou é) transmitido através de um indivíduo para o outro é um “meme“.

Mas o “meme da internet” é um pouco diferente, apesar de ter sim uma relação muito próxima disto. Podemos dizer que um “meme” é toda e qualquer piada que se popularize através da internet. Apesar de que em minha opinião, acrescentaria que os “memes” se tornaram a definição para uma piada que pode ser reproduzida através de diferente mutações. Ou seja, não é apenas uma piada, mas uma piada que pode ser transformada em outra, sem perder a sua essência.

Ainda segundo a reportagem do Youpix, é bem possível que a primeira aparição do termo “meme” tenha sido do site www.memepool.com, criado em 1998 por Joshua Schachter (um dos criadores do del.icio.us). Na reportagem também fala de Jonah Peretti, que no começo dos anos 2000 teria criado junto com amigos o “Contagious Media Project“, onde fazia diversos testes virais. De acordo com o co-criador do Know Your Meme,  Kenyatta Cheese,  neste projeto foi feito um festival de virais onde muitas pessoas lembraram da teoria do Richard Dawkins e começou usar “meme” pra descrever tudo que se espalhava na rede.

Atualização (26/Janeiro/2012):

Após alguns comentários trocados com a Rebecca Teixeira, como você pode ver abaixo, achei interessante atualizar o post aqui e trazer algumas informações extras. Como falado pela Rebecca, o “meme da internet” é tão ligado ao “meme” criado por Dawkins quanto podemos imaginar. O meme não necessariamente é ligado apenas a categoria do humor, apesar de usarmos este nome “meme” para descrever o tipo de humor que se espalha pela internet, ele em sua essência significa a informação que é passada adiante.

Para complementar o post, trouxe aqui uma apresentação (em inglês) do O’Reilly, chamada de “My True Friend“, onde Lada Adamic explica o que são e como os memes se propagam dentro do Facebook.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=O8Zhy-6cr9A]

E também há uma explicação interessante feita no seriado The Big Bang Theory, quando os personagens colocam em teste o teoria do “meme” de Dawkins:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=onVxp40MisI]

Aqui também há dois outros ótimos exemplos trazidos pelo nosso amigo Bruno Scartozzoni, do Caldinas. São duas apresentações feitas no TED, aquele famoso talkshow, um com Susan Blackmore, autora do “The Meme Machine“, e outro com Daniel Denett:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=yx-SCfY2iU4]

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=KzGjEkp772s]

PUBLICADO POR

Dennis Altermann

Fundador-Editor aqui no blog Midiatismo, trabalhando com marketing digital na DuPont Pioneer do Brasil. Entusiasta e estudioso nas áreas de comunicação, cultura, comportamento e tecnologias digitais.

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  • Rebecca Teixeira

    Não concordo com algumas afirmações. O meme da internet não é diferente, não. Se encaixa perfeitamente no conceito de Dawkins. Meme é uma unidade de informação, ou seja, parcela mínima de informação, com propriedade de autopropagar-se. É uma ideia propagada de alguma maneira, usando variados veículos. Pode estar em desenho [le Derp], texto[@ficaadica do twitter], pessoas [como a “luíza”], 
    músicas [quem nunca usou um trecho de música para se fazer entender? ex: “Caminhando e cantando e seguindo a canção…” – é mto usado], o que for. 
    Até uma gíria é um meme!  
    Além disso, não necessariamente é uma piada… na internet a maioria é piada, mas não é regra. O famoso “não curti” do facebook é um meme que pode ser usado para expressar coisas ruins ou boas, dependendo do contexto. 
     Esses memes não sofrem mutações, pois são unidades mínimas. Você mesmo percebeu isso, quando disse que “…mas uma piada que pode ser transformada em outra sem perder a sua essência”. A piada muda, mas a piada não é o meme, a informação mínima dela – que pode ser usada em outros contextos, outras piadas – é o meme. O problema é que é complicado explicar o meme sendo tão subjetivo, tão “nas entrelinhas”, aí ficamos com a ideia que o meme da internet é o todo, quando na verdade é só a “essência”, mostrada de variadas maneiras(no caso, piadas). 
    Enfim, os memes são os mesmos desde 76. Nós é que arrumamos um jeito criativo de criá-los, propagá-los e mostrá-los em uma velocidade tão absurda que, com certeza, Dawkins nunca teria imaginado naquela época! #prontofalei! rs 

    Críticas a parte, gostei do site. 

    • Acho que entendi os eu comentário Rebecca, hehe. Bom, antes de mais nada eu realmente confesso que ainda tenho minhas dúvidas quanto a compreensão do termo “meme”, pois existem muitas “vertentes” diferentes, apesar de no final praticamente todos caírem no livro de Dawkins.

      Mas por outro lado, acho interessante ressaltar que a aplicação do termo “meme” hoje em dia é um pouco diferente, até onde se entende, do que Dawkins falava, tanto que muitos preferem chamar de “internet meme”, para não ser uma referência direta ao que o autor disse, já que agora falamos de um contexto bem diferente.

      Concordo com você quando diz que é um termo subjetivo, por isso a sua compreensão sempre vai ser complicada, já que vai ser difícil você conseguir arranjar uma forma de exemplo simples.

      Talvez o termo “meme” possa mesmo se propagar de formas variadas e não necessariamente ligadas ao humor, como você mesmo citou. Mas devido ao contexto, podemos perceber que o seu uso fora da “categoria humor” é tão raro que eu acredito que tenha até uma outra característica. Talvez porque a carga de humor em cima dessas propagações seja muito forte, então em um momento que não seja de humor (ou mesmo ironia, que de certa forma parte do humor ainda ), você não os aplica.

      Claro que hoje falamos de “meme da internet” e não o “meme” de Dawkins, não
      estou aqui (e nem tenho embasamento) para negar qualquer afirmação do
      autor, apenas tentando interpretar devido ao novo contexto que esta sendo
      adotado. O “meme de internet” nunca vai deixar de ser um “meme” (de
      Dawkins), mas também nunca vai ser a mesma coisa, até onde percebo.

      Obrigado pela visita e pelo ótimo comentário, ainda estou tentando entender
      em como se caracteriza o “não curti”, porque ele realmente é usado em
      diversas circunstâncias, mesmo sabendo que, em geral, como comentei
      anteriormente, tem uma relação ao humor.

      Não tenho certeza se fui claro o suficiente, sinta-se livre para responder
      novamente 🙂

  • Rebecca Teixeira

    Não estou consiguindo responder ao seu comentário diretamente, então vai aqui mesmo. 
    Dennis,Nisso eu concordo com você, talvez eu tenha me expressado mal. Os memes da internet não são, literalmente falando, os mesmos memes de Dawkins, até porque ele é da era Antes da Internet, mas penso que são uma vertente dele. Parece-me que somente a forma como é passada que faz diferença… seria um meme atual, utilizando informações do senso comum, normalmente voltado para o humor, adaptado a realidade que vivemos hoje e que tem a capacidade de ser compartilhado rapidamente. Mas também não sou expert no assunto, por isso resolvi dar uma pesquisada informal pra ver uma descrição mais próxima da realidade do Dawkins. Achei essa no Wikipedia (não é a melhor das fontes, mas lá vai):     “Um meme é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros. No que diz respeito à sua funcionalidade, o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se.” Aí, ele explica beeem melhor que eu:    “Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autônoma. O estudo dos modelos evolutivos da transferência de informação é conhecido como memética.”Confesso que, depois de ler isso, achei os memes da internet muito mais memes do Dawkins do que eu pensava. Ainda que ele não tenha criado os memes pensando na internet, eles se encaixam perfeitamente na descrição. Só que são memes adaptados para o local de armazenamento, no caso, da mídia utilizada. O meme “fuck yeah” (desculpe pelo palavreado, mas foi o que me veio a mente. rs),  por exemplo, atrela a imagem a uma unidade mínima de informação que, ao visualizarmos, entendemos logo o que quer ser passado sem precisar ser dito. Acredito que seja esse sentimento de “cara, eu sou o máximo” que a figura mostra que é o meme. Só que, na maioria das redes sociais, propaga-se o memes engraçados, em forma de piadas, mas poderia ser qualquer outro tipo. Talvez devido ao fato de os engraçados serem mais prazerosos de se compartihar, então são mais vistos, mais propagados e mais criados também. Ainda assim, mesmo que seja difícil de ver no facebook, por exemplo, memes que não sejam engraçados, é muito fácil encontrar no twitter. Os TT são memes e nem sempre são sobre piadas, tem meme de protesto, sentimentos, opiniões, etc. Hashtags são memes e nem sempre estão na categoria humor… ex: #blitz, #EuAmoORio, “Parabéns São Paulo”, etcNão sei se ajudei com esse novo comentário, mas depois de pensar nisso tudo, fiquei com um meme na cabeça: #QueroOFimdoBBBparaSempre seria um ótimo meme pro verão! hehehe

    • haha, ótimo comentário Rebecca. Pois é, acho que faz muito sentido ligar o meme como conhecemos hoje, com o apresentado por Dawkins, porque, como comentei, os “memes da internet” ainda são os mesmo memes que o autor trouxe.

      Mas uma coisa que eu quis mostrar no post e no meu comentário, é que a definição de meme (hoje) pode ser complexa mesmo. Mas ainda mais, quis mostrar que quando alguém chegar e falar “olha o meme que eu fiz”, com 99% de certeza que vai ser uma piada adaptada a um novo contexto, como qualquer “fuck yeah” e “trollface” que existe. Os exemplos que você trouxe, como as hashtags e etc, são memes sim, pois passam de uma pessoa a outra, mas não me parecem ser caracterizado como “memes da internet”, pelo menos nunca ninguém categoriza assim.

      Acho que a grande confusão que tem é que o termo “memes” (da internet) é usado dessa forma pensando no lado do humor (seja qual for o tipo), e claro que isso tem relação com o meme (dawkins) porque o nome sugere essa ligação, mas, pelo menos ao meu ver, devemos encarar esse “meme da internet” como um termo diferente, com relação, mas não totalmente ligado ao meme proposto por Dawkins.

      Basicamente o que quis dizer é o seguinte, meme da internet é uma coisa e meme de dawkins é outra. Eles tem relação? Tem sim, mas não necessariamente representam um ao outro da mesma forma.

  • Definição pra lá de criativa! Bacana!

  • Rebecca Teixeira

    Legal!!! Adorei os vídeos! Adoro as histórias inteligentíssimas de TBBT, e não tinha visto esse capítulo ainda! E o vídeo de TED definiu bem os memes, indo até mais além do que a gente tinha pensado. 
    Adoro os memes da internet justamente pq os imitamos, mas, ao ser compartilhado, propagam-se como naquele ditado “quem conta um conto, aumenta um ponto” e é essa “contribuição individual” [ou seria evolução? rs] que torna tudo mais interessante! 
    Obrigada pelo post, e pela troca de informações. É muito legal essa troca de opiniões, pena não ser fácil de encontrar no dia a dia. 

  • Opa, obrigado pela citação! 😉

  • Lenilson Castro Ferreira

    Dennis, este é um blog brilhante.

    Sobre este post, gostaria de recomendar a vc (e obviamente a todos os interessados), uma reportagem da Revista Super Interessante, Edição 192, Setembro de 2003, O DNA das Idéias.

    Se possível, dêem uma googada sobre a minha sugestão acima

    Tenho total confiança de que todos vão adorar …

    Adeus e até a próxima.

    • Legal, obrigado pela dica. Vou dar uma procurada e ver se encontro essa matéria, parece interessante mesmo.


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