O futuro incerto do Twitter e a sua API

O Twitter é definitivamente um marco para a internet recente. Não apenas o serviço, mas toda uma cultura de compartilhamento rápido e mensagens em 140 caracteres. Infelizmente esse futuro aparece com nuvens escuras que podem trazer problemas em um futuro próximo.

Essa nuvem escura tem nome e sobrenome, podemos a chamar de “nuvem do fechamento de API” que surgiu graças à proteção de interesses financeiros da empresa nos últimos tempos. Para quem não esta por dentro, o Twitter divulgou recentemente que iria impor algumas novas regras para o uso de sua API, regras que definitivamente complicam uma parcela considerável de aplicações de terceiros.

Este era um problema já enunciado, afinal, já faz algum tempo que a empresa demonstrou forte interesse em evoluir as suas plataformas próprias e fortalecer o uso de seu serviço através de suas próprias soluções. Alguns podem achar interessante, mas isto representa um perigo para os vários aplicativos e serviços que se baseiam em oferecer uma experiência diferenciada de acesso ao Twitter.

Para falar bem a verdade, o começo do Twitter foi muito impulsionado por sua API aberta e acessível, consolidando diversos aplicativos como as melhores formas de acessar o microblog. Entre esses podemos citar o Tweetdeck, que inclusive foi comprado pelo Twitter posteriormente. Mas também há o Seesmic, Hootsuite, Tweetbot, entre outros.

Mas a recente decisão do Twitter acaba sendo um problema que vai além dos desenvolveres, atinge diretamente os usuários. Além da falta de opções e de ser obrigado a usar um aplicativo único, podemos perder muitas oportunidades de descobrir novos usos para essa mídia social.

Por que o Twitter tomou essa decisão?

O mais obvio é que tem ligação direta com a tentativa de monetizar o serviço. Desde que o microblog começou a fazer muito sucesso, acredito que isto tenha ficado mais claro em 2009, ele sempre foi questionado quanto a sua sobrevivência financeira. Fazer um serviço gratuito é interessante, mas como vão pagar os servidores e funcionários? Ninguém vive de ar. Tudo isso também tem uma relação com diversos comentários dos CEOs da empresa, que afirmaram diversas vezes que não iria utilizar meios tradicionais (como banner) para conseguir dinheiro para o seu serviço. Você pode ver um retrospecto da publicidade no Twitter neste post.

Mas será que “proibir” os aplicativos de terceiros é melhor que ter banners? É uma questão bem complicada. Os aplicativos de terceiros são essenciais, mas apenas em uma época onde as aplicações oficiais do Twitter eram extremamente falhas. Agora o cenário mudou, mas ainda esta longe de ser ideal. Muitos apontam a falta de um bom aplicativo para Windows, o principal sistema operacional do mundo.

Não podemos nos esquecer de que diversos grandes desenvolvedores de aplicativos para Twitter se mostraram frustrados. Muitos deles, inclusive, entraram oficialmente com uma ação na FTC (Câmara Federal de Comércio dos Estados Unidos) alegando que a empresa está tomando ações que limitem a opção de escolha do usuário.

Como será o futuro?

Vai ser complicado. Evitar aplicações de terceiros é uma jogada interessante para a empresa, mas ao mesmo tempo muito arriscada. Pode custar muito usuários.

Ok, grande parte dos usuários nem sempre usam aplicações de terceiros mesmo. Mas quem mais os usa, são os “power users“, aqueles usuários que usam o serviço ao extremo, usando durante todo o dia, de diversas formas, exigem melhores ferramentas. Perder estes usuários pode ser um grande problema. São estes usuários que trazem mais, que convencem outras pessoas de que o serviço é bom, etc.

A única chance do Twitter é encontrar uma forma de continuar trabalhado bem com os seus principais desenvolvedores, mas também conseguir monetizar a sua plataforma (independente de como as pessoas usem).

PUBLICADO POR

Dennis Altermann

Fundador-Editor aqui no blog Midiatismo, trabalhando com marketing digital na DuPont Pioneer do Brasil. Entusiasta e estudioso nas áreas de comunicação, cultura, comportamento e tecnologias digitais.

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