Encontrando os “fazedores”. Movimento maker ganha mais força no Brasil. #cpbr9

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Do It Yourself, ou DIY para os mais íntimos. O movimento dos “fazedores”, do “faça você mesmo”, uma apropriação do termo americano “makers“, é uma das grandes forças por trás de mais uma mudança cultural muito forte e com grande crescimento depois do surgimento da internet e pela proliferação do espirito comunitário e colaborativo que surge junto das ferramentas sociais em rede digital.

Os fazedores são pessoas que querem, precisar ou gostam de fazer as suas próprias coisas, ao invés de comprar pronto, ou que simplesmente não estão satisfeitas com o que há disponível e acreditam que podem fazer algo melhor. E era sobre estas pessoas a fala de Manoel Lemos, “Hackers, Makers e Inovação disruptiva – Uma visão de Venture Capitalista” aconteceu no Palco Inovação dentro da #cpbr9, a Campus Party Brasil 2016. Mas ele não foi o único. Ao longo do evento, que inclusive você pode conferir na agenda oficial, existem dezenas de palestras e workshops acontecendo e mostrando o quanto está crescendo este movimento.

Por que não criar o seu próprio móvel? Por que não adaptar aquele tênis para algo melhor? Por que não fazer uma estante com caixas de papelão? O movimento maker, como é chamada essa revolução, que alguns consideram ser a nova Revolução Industrial, está relacionada ao ato de criar os seus próprios objetos. Mas não confunda com reciclagem, porque, apesar de relacionado, não quer dizer que você precise reciclar materiais para fazer parte deste movimento.

Quase toda a fala sobre o assunto começa lembrando que o movimento dos “fazedores” não é algo novo, apenas está ganhando um nome. Todo mundo tem um pouco de “maker” dentro de si, ainda mais no Brasil, onde o “jeitinho brasileiro” sempre ajuda a criarmos aquelas coisas improváveis, mas que resolvem o nosso problema momentâneo, as famosas “gambiarras“.

O Manoel Lemos, que hoje trabalha na Redpoint eVenture, que é uma empresa de investidores focados em negócios digitais e é uma filial da Redpoint Venture, do famoso Vale do Silício, lembrou que o movimento do maker dos Estados Unidos é muito grande à bastante tempo, mas também ganhou mais força e um nome, uma bandeira, com a popularização da internet. Nos EUA esse movimento é muito maior porque, segundo ele, a área de serviços lá é muito pequena e isso torna tudo muito caro, por isso é normal que as pessoas pintem a sua própria garagem (como geralmente vimos nos filmes), que as vezes arrumem as suas próprias coisas e, por isso, quase todo americano médio tem uma “garagem maker” em casa já, pois já possuem um grande número de ferramentas para trabalhos manuais.

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Talvez um dos principais motivos para vermos tanto o termo “maker” aqui na Campus Party Brasil 2016 é porque o governo de São Paulo, um dos patrocinadores do evento que ocorre na cidade, inaugurou em Dezembro de 2015 o FabLab SP Livre, uma garagem gratuita para os fazedores de todas as idades. O projeto é o começo de uma revolução muito grande e que já tem iniciativas em outras cidades, governamentais e privadas. Em outra palestra, vi sobre o trabalho do Andy Troc e do Andre Soares, de Guarapuava/PR, que através da prefeitura e universidade criaram um Lab Guarpuava, um espaço para makers em uma pequena cidade do Paraná – ou seja, não é um movimento apenas de grandes centros, mas de todos os cantos do país.

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Outro ponto levantado é que esse movimento está ajudando a criar uma nova forma de criar produtos e isso está revolucionando indústrias. Criações como o Pebble Smartwatch, criada em uma garagem, lançada no Kickstarter e hoje é considerado o primeiro grande sucesso dos smartwatches, uma das últimas grandes ondas do mundo da tecnologia de consumo. Diversos outros projetos surgem todos os dias em garagens espalhadas pelo mundo e vários desses produtos estão em serviços como Kickstarter e Catarse, sendo fundados e recebendo dinheiro diretamente de quem é um potencial consumidor.

A esquerda, o projeto criado na garagem, a direita, o produto final.
A esquerda, o projeto do Pebble criado na garagem, a direita, o produto final.

Inclusive, outro ponto levantado é que muitas das tecnologias que temos hoje começaram em garagens, citando um dos maiores exemplos disso a Apple, hoje a empresa mais valiosa do mundo e dona de um império, começou com computadores montados em uma garagem. Antigamente era bem mais difícil prototipar e lançar produtos, primeiro porque você precisava de muito tempo, dinheiro e/ou recursos apenas para montar um protótipo funcional de qualquer coisa que fosse fazer, depois disso, ainda tinha o trabalho de fazer o marketing e distribuição daquilo, talvez ainda mais complicado. Era um processo muito mais demorado, custoso e que dependia de ajuda de outras pessoas, mas que hoje foi completamente remodelado pela internet. Você pode criar algo e validar, divulgar e vender pela internet, sem precisar sair de casa – literalmente.

Apresentação do Manoel Lemos no SXSW 2015, muito semelhante a que foi apresentada aqui na Campus Party.

O movimento maker ganhou muita notoriedade com as impressoras 3D, mas sites como o Fazedores.com e o americano Instructables.com já existiam muito antes disso e não precisavam de impressoras para montar e desmontar tudo que aparece. Está revolução acontece desde de sempre, mas ganha ferramentas cada vez mais profissionais e isso pode com certeza mudar o futuro.

Como um dos fundadores do Pirate Bay, um dos maiores sites de pirataria do mundo, comentou algum tempo atrás.

We believe that the next step in copying will be made from digital form into physical form. It will be physical objects. Or as we decided to call them: Physibles.

Nós acreditamos que o próximo passo para as cópias será ir da forma digital para a forma física. Serão objetos físicos. Ou, como decidimos chamar: Physibles.
Pirate Bay

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Publicado por

Dennis Altermann

Fundador-Editor aqui no blog Midiatismo, trabalhando com marketing digital na DuPont Pioneer do Brasil. Entusiasta e estudioso nas áreas de comunicação, cultura, comportamento e tecnologias digitais.