“O jornalismo ocorre cada vez mais fora das redações”, @burgos – Jornalismo vira pauta na #cpbr5

Em meio a Campus Party Brasil 2012, onde fala tanto sobre tecnologia e coisas nerds, também há espaço para se falar de comunicação e cultura digital. No palco de mídias sociais desta manhã, dia 11, tivemos o debate “O futuro do jornalismo é o não jornalismo?” que contou com a presença de Rafael SbaraiRaquel Recuero, Jorge Rocha, Pedro Burgos e mediado por Tiago Dória.

O debate começou logo falando de como o jornalismo já mudou (não podemos mais dizer que está acontecendo, porque já aconteceu), onde Pedro, do Gizmodo, lembrou que o jornalismo não vive mais apenas de redações de notícias, estamos vendo ele ser aplicado em blogs, portais e diversas outras mídias que não são mais o papel. Em meio a isso, Raquel Recuero comenta que nem sempre os jornais estão acompanhando a esta mudança, onde ela comentou:

Modelo de usar agências de notícias já acabou, não quero ler no jornal um artigo da Reuteres que eu já vi em outro lugar e na internet também. Jornal tem que parar de achar que pode dar furo, ele sai no outro dia cedo, já esta atrasado. O jornal precisa dizer porque, como, o que isso muda para a pessoa que esta lendo.

Ela também entrou na questão de que hoje as pessoas podem estar começando a mudar o seu pensamento quanto ao “na internet é tudo gratuito” e, quem sabe, em um futuro próximo poderemos ver blogs e portais realmente cobrando pelo conteúdo acessado, assim como tantos outros já fazem pelo mundo e aqui no Brasil mesmo. Não podemos mais pensar que o conteúdo produzido no blog, quando vem em forma de notícia, não pode ser cobrado, porque pagamos por conteúdo no jornal, revista, etc. Raquele lembrou que, neste caso, o conteúdo também precisa evoluir e não pode ser feito de informações razas, como é na grande maioria das vezes por aqui.

Logo após isto, a discussão entrou no âmbito acadêmico em uma tentativa de entender o problema do jornalismo desde a raiz, desde a sua formação lá na faculdade/universidade. Pedro, do Gizmodo e formado em jornalismo, acredita que o sistema acadêmico de comunicação pode estar errado como um todo desde o começo até o final, defendendo um pouco a ideia de que o mercado exige, cada vez mais, jornalismo especializado e para isso, o jornalismo deve ser o seguido passo depois de já ser especializado em algo.

No entanto, outros participantes do debate acreditam que não podemos jogar a responsabilidade apenas para a academia, apesar de ser quase unânime a ideia de que o currículo de  jornalismo (e comunicação) dentro do Brasil deve mudar como um todo. Foi defendida a ideia de que as vezes os alunos chegam do ensino fundamental sem saber interpretar o conteúdo corretamente, o que dificulta todo o resto da aprendizagem e portanto, é um ciclo de problemas e não apenas da academia.

E ainda dentro do assunto de academia, foi questionado sobre a importância da sua relação com o mercado. Entre alguns modelos de estudo comentados, como americano e o europeu, os participantes do debate se preocupar em deixar claro que a academia não precisa estar ligada diretamente (ou seja, trabalhando) para ter conhecimento de mercado, mas que concorda que uma boa parte dos professores dentro das academias não trabalha e nem tem conhecimento de mercado necessário para passar algo aos seus alunos.

Antes de encerrar a palestra, no espaço para perguntas, um dos assuntos mais puxados por parte da platéia (em sua maioria jornalistas) é o quão defasada é a academia em relação a atualização de seus professores, que muitos enfatizaram ao chamá-los de “professores dinossauros”. Mas também deixaram claro que não é nenhum ligação com a idade ou experiência do profissional, mas sim o bom senso de saber o que está acontecendo com a sua profissão.

 

PUBLICADO POR

Dennis Altermann

Fundador-Editor aqui no blog Midiatismo, trabalhando com marketing digital na DuPont Pioneer do Brasil. Entusiasta e estudioso nas áreas de comunicação, cultura, comportamento e tecnologias digitais.

Novidades e atualizações, direto em seu e-mail