Quer trabalhar com webwriting? Aprenda como escrever para web.

A cultura da escrita tem sofrido intensas modificações desde o surgimento da web. O protocolo de transferência de hipertexto, popularmente conhecido como HTTP, mudou a forma como nos relacionamos com a escrita e muda a forma como escrevemos cada palavra. Surgem novas profissões, como o webwriter.

Até pouco tempo atrás, as pessoas estudavam a língua portuguesa, suas regras e nuances para ser professor e lecionar a outras pessoas, ou, muitas vezes, para trabalhar com redação de jornais, revistas e, eventualmente, escrever um livro.

Todas essas vertentes da escrita no papel evoluíram junto com a internet. Não apenas consumimos os jornais, revistas, artigos e livros de uma forma diferente, mas também produzimos de uma forma diferente e, principalmente, interagimos de diferentes formas com esses materiais.

Muitas universidades ainda formam os seus alunos para escrever para o meio impresso, mas muitos formandos estão indo trabalhar em redações online, blogs independentes, portais de notícia, ou com conteúdo publicitário focado em buscadores ou mesmo redação para mídias sociais.

Mas redação é redação! Não é? Bom, não necessariamente…

Texto é diferente de hipertexto e aqui vamos explorar um pouco das diferenças desses dois modelos e também explorar quais conhecimentos básicos e avançados você precisa ter para a área de webwriting, conhecimento que muitas universidades ainda falham em passar.

Texto vs Hipertexto

Comecemos pelo básico. O que é texto e o que é hipertexto?

Texto é algo tão natural que é difícil explicar o que é. Podemos dizer que o “texto” seria basicamente o conjunto de letras e palavras que forma sentenças.

Em linguística, a noção de texto é ampla e ainda aberta a uma definição mais precisa. Grosso modo, pode ser entendido como manifestação linguística das ideias de um autor, que serão interpretadas pelo leitor de acordo com seus conhecimentos linguísticos e culturais. Seu tamanho é variável. – Wikipédia

Enquanto isso, o hipertexto é algo que também envolve muita discussão. Conceitualmente, olhando para a etimologia da palavra, “hipertexto” seria uma extrapolação/evolução do texto, algo semelhante, mas mais completo.

Naturalmente atribuímos o hipertexto à internet, principalmente à world wide web (WWW), mas alguns autores defendem que ele não existe apenas nos meios digitais, pois uma enciclopédia impressa teria todos os requisitos para ser considerado um hipertexto.

Se olharmos para a teoria, o hipertexto deveria conter todos esses elementos abaixo:

  • Intertextualidade;
  • Velocidade;
  • Precisão;
  • Dinamismo;
  • Interatividade;
  • Acessibilidade;
  • Estrutura em rede;
  • Transitoriedade;
  • Organização multilinear.

Acontece que, se você analisar ponto a ponto, verá que muitas vezes nem o conteúdo disponível dentro da rede (www) preenche todos os requisitos.

Portanto, de forma resumida e sem nos aprofundarmos em questões teóricas e acadêmicas sobre as definições dos termos “texto” e “hipertexto”, podemos simplificar dizendo que texto é a união das palavras escritas para a formação de sentenças, enquanto o hipertexto se trata do texto acrescido de informações extras que contextualizam aquela informação (ou seja, tem LINKS!).

Texto para Google ou texto para o Facebook?

Outra grande semelhança entre escrever para internet ou escrever para qualquer outro meio é que, assim como afirmava McLuhan, o meio é a mensagem.

Então, a forma como você escreve no Twitter, Facebook ou Google altera a forma como a mensagem é distribuída, mas também a forma como ela é escrita. Uma descrição de vídeo no YouTube será diferente de um texto para publicação no Facebook. Talvez você escreva diferente se está escrevendo em um blog pessoal ou no Medium.

A forma de escrita não é alterada apenas pela quantidade de caracteres ou recursos disponíveis, mas também pelo foco que aquela informação tem. Ao escrever para o Google ou outros buscadores, você procura uma forma de ser encontrado através destas ferramentas, e os textos focados em redes sociais tendem a buscar persuadir o usuário a compartilhar aquele conteúdo.

A “Buzzfeedização” é um exemplo disso. O BuzzFeed surgiu com as suas listas sobre qualquer assunto imaginável e, em poucos anos, tornou-se um dos maiores canais de comunicação online da atualidade. O efeito disso? O formato de textos baseado em listas e frases curtas simplesmente explodiu. Inclusive já falamos desse fenômeno aqui antes.

É simples. Redação dentro da internet é feita para ser compartilhada ou para ser encontrada. Você pode, eventualmente, atingir ambos os caminhos em apenas um texto. Mas esse geralmente é um segundo nível.

Caso queira escrever para ser encontrado, existem dezenas de regras e dicas sobre como escrever para isso. Redação é um ponto fundamental dentro das várias técnicas de SEO (Search Engine Optimization), sendo que existem centenas delas. Vamos explorar algumas delas abaixo:

Palavras-chave

Esse é um dos principais conceitos para trabalharmos com otimização de textos para os buscadores.

Quando surgiu, um dos grandes trunfos do Google em relação a outros buscadores foi considerar o conteúdo das páginas como um fator decisivo para definir quais deveriam aparecer primeiro em cada busca. Como ele faz isso? Estipulando palavras-chave para cada página da internet.

As palavras-chave de cada página são definidas pelo conteúdo presente, quantas vezes cada palavra – e seus sinônimos – estão presentes, quantos links externos e internos existem e aonde estão mandando. Enfim, são dezenas de fatores relacionados a estas palavras.

Observação: A palavra link vai aparecer dezenas de vezes nessa publicação. Para quem não estiver familiarizado, links são ~ligações~ entre um conteúdo e outro.

É claro que não é tão simples, pelo menos não mais. Não basta simplesmente usar milhares de vezes a mesma palavra, o Google faz constantes atualizações para evitar que seja tão simples burlar o seu sistema.

Procure fazer um texto bom e útil que você estará se dando bem, mas busque usar pelo menos algumas vezes as palavras-chave nas quais você almeja uma boa posição. Uma vez, me disseram que a melhor forma de melhorar o seu posicionamento no Google é pensar no usuário. Se for melhor para ele, o Google irá posicioná-lo melhor.

Otimização de código

Um fator importante para trabalhar textos é também entender um pouco de código HTML. Dentro do conceito de palavra-chave que exploramos acima, um dos fatores que ajuda o Google a entender quais palavras-chave são as mais relevantes dentro do seu texto é usar as tags HTML para destacar e dar ênfase nelas.

Use negrito e itálico para dar ênfase em termos e palavras em que você quer ser encontrado, assim como o uso dos headings (títulos). Se você conhece um pouco de HTML, já deve ter se deparado com os títulos e subtítulos. H1, H2, H3, H4, H5 e H6 são tags de código criadas para isto. Se você abrir um editor de textos como o Microsoft Word, verá que ele também tem os headings.

Em diversos programas, os headings (ou títulos) são comuns. Para produção de conteúdo para web, eles também são.

Se você não entende nada de HTML e está completamente perdido nessa história de P, STRONG e H1 ou H2, recomendo fazer pelo menos as primeiras aulas do curso online (e gratuito) de HTML do Codecademy quando possível.

Meta tags e Open Graph (OG) tags

Se vamos produzir conteúdo para ser compartilhado no Facebook – que seria a grande maioria hoje em dia – devemos entender também das Open Graph tags.

Vídeos, gráficos interativos e infografia

Um dos grandes trunfos da web é o uso de elementos interativos para aumentar a compreensão do conteúdo. São vídeos, infográficos, animações, gráficos interativos, mapas e as dezenas de diferentes formas de oferecer conteúdo.

Se você observar, a grande maioria dos sites oferece alguma forma de incorporar o seu conteúdo a outros sites. YouTube, Google Maps, e até mesmo Facebook e Twitter, como você confere nas imagens abaixo.

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Incorporar o conteúdo dentro do seu site tem impacto não apenas na qualidade do conteúdo que você está compartilhando, mas também no tempo de permanência dos usuários em seu site.

A funcionalidade de incorporação é fácil de usar e certamente vai tornar o seu site mais dinâmico, trazendo gráficos interativos e estendendo a compreensão do texto. Um bom exemplo de ferramenta para criação de gráficos e infográficos é o Infogr.am.

No caso de vídeos, como do YouTube, Vimeo ou mesmo Facebook, é interessante colocá-los dentro do seu site de forma incorporada, pois isso evita que a pessoa continue navegando no outro site depois de assistir ao vídeo. Você sabe como é… entra no YouTube para ver um vídeo e volta 3 dias depois com 30 abas abertas.

Quando estamos falando de alguma publicação em redes sociais, também podemos fazer a incorporação daquele conteúdo em vez de simplesmente colocar uma imagem. Isso permite que a pessoa interaja com aquela publicação sem precisar sair do seu site.

Conteúdo para desktop, mobile ou responsivo?

Quando falamos de produção de conteúdo para web, outro fator que hoje traz dor de cabeça é o acesso através de dispositivos móveis.

A produção de um texto, assim como a produção de um site, vai sofrer uma certa influência dependendo do meio em que ele for lido. Desde o tamanho das fontes, contraste das cores e velocidade de carregamento, que vamos falar abaixo, influenciam na percepção da sua qualidade.

Lá em 2012, já falamos aqui do design responsivo, uma “forma” de produzir sites pensando em todos os milhares de formatos de dispositivos existentes, criando um site que se adapta com mais facilidade aos diferentes tamanhos de telas.

Para o conteúdo, devemos ter uma atenção semelhante. Quando você faz um artigo para o seu site, blog ou portal de notícias, você se preocupa com o tamanho da imagem? Como ela vai se comportar em dispositivos móveis? Como aquela foto em baixa resolução vai ficar na tela de alta resolução dos smartphones?

Existem ferramentas, como o Google Analytics, que vão rastrear a navegação dos seus visitantes e fornecer insights muito interessantes, como a porcentagem de visitas através de smartphones, principais navegadores, sistemas operacionais etc. Com essa informação, você vai estar pronto para testar o seu conteúdo nas principais plataformas e garantir uma maior entregabilidade do conteúdo.

Velocidade de carregamento

O tempo que uma página demora para carregar também é um ponto crucial na hora de produzirmos conteúdo para a web. Isso se torna ainda mais crítico no caso dos dispositivos móveis, como comentamos acima.

No caso de compras online, segundo essa pesquisa do Google, 40% das pessoas abandonam o site se ele não carregar em três segundos. Três segundos. Você já abriu o seu site e contou quanto tempo ele demora até aparecer o conteúdo?

Diversos aspectos influenciam na velocidade do carregamento, como o servidor usado, quantidade de imagens, peso/qualidade das imagens usadas, quantidade de arquivos externos para carregar (plugins de redes sociais, por exemplo). Cada elemento extra dentro de um site atrapalha sistematicamente o seu carregamento.

Um exemplo clássico é a qualidade da imagem. Já vi muitos casos em que o site tinha no máximo 1000px de largura, mas a imagem dentro da publicação tinha resoluções altíssimas, o que tornava o carregamento lento.

Uma dica simples, mas muito eficiente, é usar serviços de compreensão de imagem sem perda de qualidade, como o já indicado no nosso post sobre design de e-mail marketing, o TinyPNG/TinyJPEG.

Use ferramentas como o Google PageSpeed Insights para descobrir quanto tempo sua página leva para carregar e também para identificar o que pode ser melhorado nela.

Interações, comentários e redes sociais

Já apontamos neste artigo diversas diferenças entre o texto impresso e o digital, e talvez uma das mais importantes seja a interação com as pessoas.

O campo de comentário de um texto é importante não apenas pelas interações com os leitores, que ajudam a entender no que seu texto pode ser ainda melhor, mas também como uma forma de receber feedback direto. Assim, você melhora o uso de palavras-chave e responde dúvidas diretamente para os seus leitores, ao contrário do meio impresso, no qual você geralmente não recebe um retorno direto.

Incentive os leitores a comentarem, curtirem, compartilharem, favoritarem ou retweetarem o seu conteúdo. Peça a eles que passem adiante a mensagem que você está trazendo.

Direito de uso, propriedade intelectual e fontes

Só porque está na internet, não quer dizer que você tem o direito de usar. Esse é um conceito muito errado que as pessoas têm sobre publicações na internet.

Quantas vezes você já não viu um site em que a fonte da imagem é “Google Imagens”? É equivalente ao “vi no Facebook”, quando perguntamos a fonte de uma notícia.

Arquivos de imagem devem estar hospedados em algum site e, mesmo que você possa salvar em seu computador e usar em seu blog/portal/site, não quer dizer que você tem o direito de fazer isso.

Para verificar se você pode ou não usar determinada imagem, deve procurar pela sua fonte, que geralmente se encontra junto à imagem ou no rodapé da página. Mas lembre-se de duas coisas!

  • Só porque aquela imagem está hospedada no site, não quer dizer obrigatoriamente que aquela pessoa tem direito de estar usando aquela imagem, portanto, verifique a sua procedência.
  • Se não há direito atribuído, você deve presumir que não tem direito de uso. A desculpa “mas no site não dizia nada” não justifica a utilização.

Lembrando que o direito de uso serve não apenas para imagens, mas para qualquer conteúdo multimídia. Textos, vídeos, fotos… todos são de propriedade de seus respectivos autores.

E neste contexto temos outra grande discussão: como citar a fonte? Se você já fez qualquer trabalho acadêmico/científico, deve saber das regras de atribuição e de referência ao autor. Pois bem, quando produzimos algum conteúdo online, seguimos a mesma premissa. Devemos sempre atribuir o conteúdo ao seu autor.

Se você tirou aquela informação de algum lugar, atribua com um link. Uma boa prática é apontar o link para onde veio a informação em si, e não apenas ao site em geral. Por exemplo, se você usou um trecho de um artigo do Midiatismo, o correto é colocar um link para este artigo, e não para a página inicial do site.

A grande parte do conteúdo na web, incluindo as publicações aqui do Midiatismo, estão regidas sobre algum tipo de licença de uso de propriedade intelectual, sendo a maioria através de copyright (famoso ©) ou Creative Commons (famoso CC) e suas variações. No caso do Midiatismo, distribuímos atualmente o conteúdo através da licença “Creative Commons Atribuição-Não Comercial 4.0 Internacional“. Abaixo explicamos melhor a diferença entre as licenças.

Eu poderia escrever um longo artigo sobre esse assunto, explicando as características de cada uma dessas licenças e também explorar as suas diferenças técnicas e morais, mas dessa vez vou me ater a explicar de forma prática o uso delas.

Quando você cria um conteúdo original, ele automaticamente passa a ser sua propriedade. Portanto, qualquer uso ou reprodução deste material deve ser aprovado por você. Esse é o principio do copyright, garantir que todos os direitos do autor sejam preservados. Bom ou ruim, esse é um modelo muito comum e geralmente considerado o modelo padrão, até que se prove o contrário. Você pode ler mais sobre direito autoral na Wikipédia e entender um pouco melhor a profundidade desta licença.

A outra licença que comentamos, o Creative Commons, tornou-se muito popular dentro da internet e é a licença padrão de diversos serviços e projetos.

A licença CC é organizada através de uma ONG que visa libertar as pessoas para que criem qualquer material e possam distribuir de uma forma simples e justa, algo muito próximo do que temos hoje com a globalização através da internet.

Você poderá escolher entre as diferentes versões da licença e deixar claro para qualquer pessoa o que ela pode ou não fazer com aquele conteúdo, sem precisar da sua intervenção. Existem basicamente duas perguntas que vão definir qual é a variação da licença CC que você vai usar. “Você vai permitir que adaptações do seu trabalho sejam compartilhadas?” e “Permitir uso comercial do seu trabalho?”.

Você pode ter mais informações no website da Creative Commons, assim como a ajuda necessária para definir a versão de licença que você irá utilizar.

Existem dezenas de variações de licenças. Neste link você confere uma lista de licenças que distribuem o conteúdo gratuitamente. Alguns serviços criam as suas próprias licenças, como é o caso do YouTube, que por padrão coloca todos os vídeos com a licença Standard YouTube License, que é uma variação de copyright.

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Imagem de capa via Pixabay.

PUBLICADO POR

Dennis Altermann

Fundador-Editor aqui no blog Midiatismo, trabalhando com marketing digital na DuPont Pioneer do Brasil. Entusiasta e estudioso nas áreas de comunicação, cultura, comportamento e tecnologias digitais.

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