Uma dose de Freud para os marketeiros digitais


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Para o pai da psicanalise, a projeção é um mecanismo de defesa em que determinada pessoa “projeta” seus próprios pensamentos em outra pessoa. Chamada de “Projeção Freudiana”, essa teoria foi desenvolvida por Sigmund Freud e aperfeiçoada pela sua filha, Anna Freud.

Quando um indivíduo projeta alguma coisa em alguém, os psicólogos dizem que o esta pessoa está expulsando sentimentos que não tem coragem de assumir que fazem parte de seu inconsciente, logo, inconscientemente “jogam” a culpa para o “projetado”.

Segundo a psicóloga Vânia Buarque, no âmbito íntimo isso ocorre com certa frequência, podemos exemplificar o caso de uma pessoa que tem pensamentos frequentes sobre infidelidade em um relacionamento e que ao invés de lidar com isso de uma forma consciente, ele projeta de forma inconsciente no parceiro chegando até a envolvê-lo em outros casos extra-conjugais sem que ele tenha cometido.

Vânia também exemplifica no contexto profissional, quando estamos escolhendo uma cor para pintar nossa casa e contratamos um profissional para ambientações. “Quem não passou pela experiência de falar para um arquiteto que gostava muito da cor laranja e ele dizer que azul era muito mais adequado? Lógico que o contratei porque é um profissional da área, mas se eu gosto de laranja é porque é pessoal e não porque eu quero mostrar minha casa para alguém.”

A teoria da projeção é usada pelo inconsciente a todo o momento e em situações inimagináveis. Se o mundo virtual hoje faz parte do nosso cotidiano, o que pensar de nossas atitudes nas redes sociais, já que elas fazem parte tanto da nossa vida pessoal como da vida profissional?

A situação mais problemática é saber dividir esses dois universos e que possuem uma linha muito próxima e que não deixam de ser paralelas, já que a grande maioria dos profissionais que trabalham nas redes sociais possuem perfis pessoais em várias plataformas e inevitavelmente usam a mesma ferramenta para exercer o seu ofício.

E o que dizer da internet no uso marketing eleitoral? No mundo real, onde precisamos mostrar nosso rosto, os votos são disputados de uma maneira medieval, transformando as cidades em zonas de guerra a procura de eleitores, e o que podemos falar do mundo virtual, onde não é necessário revelar nossa identidade e por essa liberdade provisória, algumas campanhas políticas assumiram um discurso online que não condiziam com o off-line.

O que dizer da campanha online do prefeito eleito Geraldo Júlio, que na primeira semana criou a polêmica peça que ficou conhecida como “Geraldo Julis”, onde a foto do candidato foi manipulada para se parecer com o personagem Mussum, dos Trapalhões? O material era esteticamente bem feito e de bom gosto, mas será que o momento era oportuno? Não era e mesmo com o índice alto de aprovação, o Movimento Negro local acusou de racismo e criou-se um imbróglio nos bastidores da campanha.

Na campanha de São Paulo, a equipe do candidato do PT, Fernando Haddad, postou um vídeo intitulado: “E agora, José?”, onde o candidato do PSDB, José Serra é comparado a Adolf Hitler e a um vampiro. Questionado a época pela imprensa, Haddad reconheceu que a peça era inadequada e que o integrante agiu de forma indevida e foi punido com a demissão da campanha.

Do Rio de Janeiro também tem um exemplo, os profissionais que trabalhavam na campanha do prefeito reeleito Eduardo Paes soltaram uma pérola, colocaram uma foto do candidato perto de escombros com o texto “Quando o prédio desmorona ou a encosta desliza é que as pessoas mais precisam de mim”. A peça foi postada no perfil do Facebook do candidato e logo causou um rebuliço, várias pessoas compartilharam a peça e tornou-se uma propaganda contrária ao candidato.

Nos três exemplos citados, os candidatos venceram as eleições, não foram eventos que chegaram a prejudicar a campanha, mas com a amplitude das redes no cotidiano social, futuramente uma atitude semelhante pode sim, acarretar em prejuízos irreversíveis ao político, levando-se em consideração que uma vez postado, não se pode voltar atrás.

Será que dessa vez Freud explica?

PUBLICADO POR

Rodrigo Pires

Jor­nal­ista, fotó­grafo e blogueiro. Tem arti­gos pub­li­ca­dos em sites, revis­tas e con­gres­sos. Pesquisador das áreas de Psicologia Social e Cibercultura, tra­bal­ha em marketing políti­co e produção de conteúdo para web.

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