O outro lado do monitoramento da internet pelo governo #cirandablogs

Desde o recente escândalo sobre projeto Prism e o monitoramento dos EUA, o que mais tem se falado é sobre o monitoramento e controle da internet pelo governo.

A discussão sobre a neutralidade na rede é muito forte no Brasil e vem sendo muito discutida desde o surgimento do Marco Civil da Internet, um projeto de lei que quer definir e discutir os direitos e deveres do usuário e do Estado dentro da internet brasileira.

Mas o monitoramento é relativo, depende do ponto de vista. Ter acesso a dados confidenciais é invasão da privacidade, não importa se isto está sendo feito por criminosos, empresas ou governos. Portanto é importante deixar claro que este tipo de monitoramento jamais é justificável, mesmo em casos onde o alvo é suspeito de algum crime – bom, isso depende um pouco.

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Deixar o governo ter acesso a nossas informações é o mesmo que retirar toda a nossa liberdade, pois sabemos que tudo que deixarmos de rastros na internet poderá ser usado contra nós mesmos. É inadmissível. Mas e quando há uma suspeita de que uma pessoa está envolvida em crimes, será que o governo deve ter direto de acessar a sua privacidade? Está discussão é complexa, porque inicialmente podemos achar que isto é ferramenta de segurança, mas ao mesmo tempo estamos sendo coniventes que o governo monitore alguém. Isto parece justificável, até o dia em que o “suspeito” é você. Conhecendo o país onde vivemos, sabemos que não podemos confiar muito nos políticos que temos.

Por outro lado, o monitoramento mais superficial, aquele feito por empresas através de softwares que buscam por palavras-chave dentro de mensagens públicas pode ser uma ótima ferramenta para o governo entender o que está acontecendo e sendo discutido sobre determinados assuntos. Se vivemos em uma democracia, talvez essa seja uma das melhores formas de o governo ter acesso à opinião das pessoas. Claro, ainda não são todos que têm acesso a internet, mas em algum momento serão.

Veja bem, não estou falando que o governo deve monitorar o seu perfil no Facebook, mas sim usar ferramentas de monitoramento para ver o que está sendo dito em blogs, redes sociais e fóruns públicos, enfim, conteúdo que está sendo publicamente para que todos vejam.

Pensando bem, é muito provável que o governo faça isso para algumas questões, mas em um futuro próximo devemos ver até os governos locais – prefeituras, por exemplo – monitorando o que está sendo dito sobre a cidade, sobre os vereadores, buscando compreender os problemas locais que estão sendo discutidos e colocados em pauta dentro da rede.

Posso estar errado, mas acredito que em um futuro breve realmente vamos começar a ver mesmo as prefeituras das menores cidades usando ferramentas como estas.

PUBLICADO POR

Dennis Altermann

Fundador-Editor aqui no blog Midiatismo, trabalhando com marketing digital na DuPont Pioneer do Brasil. Entusiasta e estudioso nas áreas de comunicação, cultura, comportamento e tecnologias digitais.

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