O dono do conteúdo na sociedade interpretativa

As Redes Sociais não nasceram ontem, e nem foi com a web. Desde os primórdios os seres humanos buscam cada vez mais por formas complexas de satisfazer suas necessidades de interação social. Desde os primeiros grupos humanos, as grandes civilizações, as organizações secretas, a formação das religiões, as tribos urbanos, são todas redes sociais, diferentes em seus contextos históricos, políticos e sociais. Na contemporaneidade, percebe-se a consolidação de uma grande rede social virtual. Continua a idéia de rede social, muda apenas o espaço onde é desenvolvida.

Vive-se hoje em uma sociedade interpretativa. Essa percepção aumenta quando nota-se que os indivíduos a cada dia mais interagem, opinam e interpretam os fatos à sua maneira. Oras, sempre se fez isso, não? O que diferencia esta sociedade de outras, é o fato de que a mesma tem plataformas disponíveis que possibilitam o compartilhamento de todas essas informações, opiniões e interpretações. Para o bem e para o mal.

A cada dia que passa as pessoas ficam mais críticas, analíticas quanto ao conteúdo que consomem. Em meio a tantas ferramentas e possibilidades de compartilhamento, é importante marcar território, conquistar seguidores. Não é uma tarefa fácil. Tanto é que talvez seja esse o grande desafio do jornalismo atual: transformar o ‘mundo-cão’ que é a internet em um grande palco para o debate das idéias e construção de uma opinião pública mais consistente, democrática e popular.

Em um mundo tão vasto de possibilidades, existem algumas pessoas que se adiantam. Nessa sociedade da interpretação o melhor exemplo disso é o gerador de conteúdo. Ele é o responsável por encontrar, adiantar, compartilhar e mesmo opinar e dar uma primeira interpretação às informações. Parte dele o primeiro link, a primeira visualização do vídeo, o primeiro cadastro naquela rede social nova. Portanto, pode-se dizer que as interpretações que virão daí, em boa parte são influenciadas à priori pelo ponto de vista do gerador de conteúdo.

Aquela pessoa que tem conteúdo em uma sociedade interpretativa transforma-se, de certa forma, em dono do poder. O conteúdo na sociedade da informação é moeda de troca, garantia de status e afirmação social, se bem utilizado. No entanto, nota-se que este conteúdo deve ser sempre novo, ágil, segmentado.

A sociedade interpretativa está cada vez mais especializada e segmentada. As pessoas sabem muito sobre vários assuntos, mas são em setores específicos onde ocorre a realização de seus objetivos comunicativos pessoais e profissionais. O dono do conteúdo é aquele que sabe primeiro, acha primeiro, divide primeiro. Na sociedade da interpretação, apenas ‘copiar e colar’ a informação não conta.

É necessária uma interpretação, uma opinião, ou em casos de novas tecnologias, uma orientação sobre o produto/conteúdo fornecido. Espera-se certa assertividade nas críticas do seu dono de conteúdo favorito, rapidez na busca de informações e credibilidade nas fontes usadas.

O dono do conteúdo transforma-se em certo senhor feudal, com seus territórios virtuais dominados, seguidores ávidos por alimento e status de ‘dono do pedaço’. Mas é preciso tomar cuidado. Ser ‘dono do pedaço’ em uma sociedade efêmera é arriscado. Pois mesmo que esta seja uma terra de ‘feudos’, não há vassalos. Em uma sociedade que a cada dia mais se alimenta de conteúdo e informação, qualquer bobagem dita pode virar unfollow. Porém, é melhor não arriscar, porque por aqui as pessoas interpretam, opinam e reagem tão rápidas quanto um tweet.

Escrito por Darlon Silva

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PUBLICADO POR

Darlon Silva

Estudante de Jornalismo, curioso por marketing e apaixonado por redes sociais. Produtor de conteúdo para a Web, pretende viver de literatura um dia.

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