Mulheres na tecnologia #cpbr8

A primeira palestra que eu fui esse ano era organizada pelo Facebook, “Women in Tech” contava com a presença de mulheres que trabalham com tecnologia e contaram um pouco sobre as principais dificuldades enfrentandas por ela, como mulheres, nesse ramo que é praticamente dominado por homens.

Entre as participantes, Mubarik Imam, Director Business Development do Whatsapp, Gabriela Viana, Marketing Director da empresa chinesa Xiaomi, Jaqueline Lee, Marketing Director da Qualcomm e tudo isso mediado pela Laura González-Estéfan, líder de parcerias na América Latina.

Apesar de nenhuma grande novidade dentro da palestra, o depoimento destas quatro mulheres era naturalmente inspirador, principalmente para as várias mulheres que estavam na platéia, principalmente para aquelas que já trabalham ou estudam com tecnologia e passam diariamente por situações relatadas pelas mulheres do palco.

É interessante salientar que nos EUA existe uma discussão muito forte sobre o papel da mulher dentro do mercado da tecnologia. A engenharia, geralmente dominada por homens, vê cada vez mais mulheres tomando posições de destaque e isso é algo fantástico e é uma discussão que começa a chegar aqui no Brasil.

O principal desafio dessas mulheres é, segundo palavras delas mesmo, conseguir mostrar que são capazes, pois sofrem preoconceito no mercado de trabalho por serem mulheres, ainda mais no ramo da tecnologia. E mesmo no Vale do Silício, onde algumas delas trabalham ou já passaram, existe um preconceito contra as mulheres, um lugar que muitos pensam ser mais avançado culturalmente.

Durante esta palestra lembrei de um texto de Setembro/14 que li recentemente, “I’m tired of being a woman in tech“, onde Nikki Durkin fala sobre a sua experiência como uma mulher que fundou uma startup e principalmente reclama dessa atenção que recebe apenas por ser mulher. Segundo ela, ela deve ser reconhecida por ser boa ou ruim no que faz e que o seu gênero não deveria influenciar nisto.

De uma forma geral, apesar de ser uma mesa redonda sobre “mulheres no mundo da tecnologia”, acho que o que vimos na Campus Party é o começo de uma discussão recente aqui. Enquanto nos EUA, onde Nikki estava, o assunto já é um pouco mais batido e já deveria ter sido superado.

Outro ponto importante dentro deste universo acaba sendo o assunto polêmico envolvendo a gravidez e a capacidade de conciliar família e trabalho, um desafio enfrentando não apenas por mulheres, mas principalmente por elas, por serem elas que dão a luz ao um filho, o que envolve todo o período de gestação e adaptação, e também pelo fato de vivermos em uma sociedade em que muitos ainda acham que a mulher deve se preparar para ser uma boa mãe e uma boa dona de casa, seu lado profissional deve ser deixado de lado.

Jacqueline, da Qualcomm, lembra as gerações estão mudando, que as pessoas já não esperam que as mulheres sejam apenas boas esposas e mães. As pessoas já esperam que sejam bons profissionais. Mas ainda é uma transição.

Entre as quatro mulheres presentes no palco, Mubarik era a única que vinha de uma carreira mais técnica, sendo a única formada em engenharia. Ela lembrou que na época do colégio um professor de física dizia que não precisava ensinar física para as mulheres, afinal, elas nunca seriam engenheiras. Ele estava enganado. É essa mensagem que, no geral, todas as mulheres ali queriam passar: Não deixe que os outros digam que você não pode, não deve ou não consegue.

As vezes você talvez vai ser a única mulher trabalhando em uma empresa de tecnologia, mas não veja isto como algo ruim, veja como uma vantagem.

PUBLICADO POR

Dennis Altermann

Fundador-Editor aqui no blog Midiatismo, trabalhando com marketing digital na DuPont Pioneer do Brasil. Entusiasta e estudioso nas áreas de comunicação, cultura, comportamento e tecnologias digitais.

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