Arezzo seria uma “vítima” das redes sociais?

Para quem não viu, a empresa de roupas e relacionados Arezzo esteve entre os tópicos mais comentados do Twitter dentro do Brasil alguns dias atrás. O nome da empresa não estava exposta à toa, ela estava lançando uma linha roupas feitas de pele animais. A revolta por parte de membros de diversos grupos aconteceu, como era previsto que iria, a diferença esta no fato de diversas outras pessoas se juntarem ao protesto.

Antes que alguém venha dizer que este assunto “está velho”, como acontece as vezes, saiba que estamos fazendo uma análise nossa após o ocorrido e não enquanto ele estava “quente”, dessa forma conseguimos juntar mais fatos e informações. Também temos objetivo de mostrar a todos aqueles que não viram está importante reflexão.

O acontecido já tem pouco mais de 1 semana, mas ainda “pipoca” muito por aí já que se trata de um assunto polêmico em diversos sentidos, desde o protesta intenso dos ativistas, aqueles que são a favor ou mesmo aqueles (que como nós) procuram apenas analisar a situação do ponto de vista mais profissional.

O evento até ganhou fanpage no Facebook, mostra que toda ação tem uma reação e a partir do momento em que se toca em um assunto polêmico, prepare-se para ser julgado. Incrivelmente este fato dentro das redes sociais consegue ter proporções ainda maiores.

arezzo-fanpage-boicote

Agora que estamos “por dentro” do acontecido, quero avisar que não estou sendo a favor, contra ou tomando qualquer posição semelhante neste fato pois não pretendo tornar este post uma discussão de direitos humanos, direitos animais ou semelhante.

Muitos outros blogs discutem as questões éticas em relação a atitude da empresa e também pelo lado de gerenciamento de crise e tantos outros fatores ligados ao gerenciamento online e offline de uma marca. Portanto, meu objetivo aqui é um pouco diferente, é trazer uma reflexão que já tenho percebido em outros casos.

Será que em meio a uma rede aberta e super exposta como o Twitter e o Facebook, a Arezzo não foi apenas uma vítima desta abertura nas mãos de ativistas?
A atividade de uso de pele de animais para confecção de vestimentas é muito mais antiga e explorada do que podemos imaginar, diversos empresas ainda usam este como um meio de sobrevivência no mercado, pode ter certeza que a Arezzo não é a única a tentar lançar uma linha deste tipo.

Mas então por que a Arezzo está sendo atacada desta forma?
Quando chamamos a Arezzo de “vítima”, não estamos isentando ela da culpa, mas estamos provocando uma reflexão nesta questão. Usando um ditado popular, podemos dizer que a batata estava assando e ela explodiu nas mãos da Arezzo.

Como já dito antes, diversas empresas usam animais para suas confecções, a diferença é que nem todas eram tão expostas (principalmente online), pois trabalham em um segmento específico.

Ao se expor online, a Arezzo acabou arriscando a sua marca por uma linha que nem era seu segmento central (pelo menos foi o que a empresa demonstrou).

Então eu estou dizendo que não vale a pena investir online?

Não confundam as coisas. Defendo fortemente de que toda empresa deve procurar se posicionar online, mas a falta de gerenciamento desta presença causa situações como esta da Arezzo.

Quando uma empresa trabalha com assuntos polêmicos (pele de animais, cigarro, etc) a busca pela presença online pode ser uma dor de cabeça, justamente por se expor e dar ainda mais voz aos internautas.

Mas e aí, você é a favor ou contra?
Como já disse antes, procurei não me posicionar neste sentido em relação ao fato, mas tenho que confessar que concordo com alguns comentários que li a respeito do caso. Resolvi separar apenas um deles:

“Agora todo mundo é um ativista WWF”

Concordo (em parte) com este comentário, já que a maioria das pessoas que reclamam comem carne industrializada e provavelmente tem algum material feito de couro animal dentro de casa.

Este assunto foi muito comentado em alguns posts sobre os “trolls anti-corporativos“, onde os internautas (geralmente anônimos) fazem qualquer coisa para falar mal de empresas, mesmo que não concorde totalmente com aquilo, apenas pelo fato de “trollar” alguém. Sim, isto existe.

Pode-se tirar uma grande lição deste acontecido: É importante analisar bem todas as situações de qualquer ação, seja online ou offline.

Informações complementares:
Entrevista de Anderson Birman para o portal IG

Leitura do case Arezzo: um somatório de erros

PUBLICADO POR

Dennis Altermann

Fundador-Editor aqui no blog Midiatismo, trabalhando com marketing digital na DuPont Pioneer do Brasil. Entusiasta e estudioso nas áreas de comunicação, cultura, comportamento e tecnologias digitais.

Novidades e atualizações, direto em seu e-mail