Analisar as estatísticas é fundamental na edição dos sites

Subestimada pelos editores a interface que registra o acesso dos usuários aos sites costuma trazer dados valiosos para efetuar ajustes e correções técnicas. Ela também pode aumentar a eficiência no processo de edição dos mesmos, influenciar no número de visitantes e colaborar como ferramenta de comunicação ou geradora de negócios.

O internauta mais leigo e avesso à área de exatas ao se deparar com a tela que mostra a métrica do site – composta por uma profusão de números, gráficos, URLs e links – tende mesmo a ficar inibido. Passado o desconforto inicial e a partir de uma leitura mais atenta, o usuário vai notar que tudo aquilo não é nenhum bicho de sete cabeças, pelo contrário é fácil de ser compreendido e melhor, contém informações valiosas para o processo de planejamento editorial.

Com os dados em mãos e corretamente analisados, o editor poderá montar o processo de edição de forma mais eficiente e profissional. Por exemplo, ele poderá coordenar a publicação de matérias com os períodos de maior fluxo de acesso. Ou então produzir conteúdo de acordo com o gosto ou perfil dos usuários.

Pode-se também descobrir quais são as páginas mais populares e as menos visitadas. Isso constitui um modo prático de identificar o conteúdo de maior interesse dos internautas e estimular o seu desenvolvimento, bem como fazer ajustes de rumos ao conhecer as páginas cujo conteúdo não atrai o visitante.

Durante um período, editando o site do Programa Interlegis um projeto do Senado Federal em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento – voltado para modernização e integração do legislativo – foi possível em poucos meses quase dobrar a sua audiência, simplesmente analisando a página de estatísticas. Descobrimos que as áreas mais acessadas eram a de legislação municipal e notícias sobre experiências exitosas de câmaras de vereadores que contribuíam para o fomento da cidadania e transparência.

Dessa forma, passamos a centrar a produção de conteúdo nessas áreas e publicá-las nos horários em que o acesso era mais elevado. As respostas vieram em pouco tempo. Notamos aumento no tempo de permanência dos usuários nas páginas, no número de acessos ao fale conosco e, por tabela, em outras áreas como enquete e número de downloads de softwares fornecidos pelo programa. A partir desse momento, todo o processo de planejamento editorial do site deixou de ser feito de maneira intuitiva e passou a basear-se em análise de dados concretos.

A análise estatística, muito comum nos países europeus e norte-americanos, tem se disseminado com força no Brasil. Já não é tão difícil encontrar no mercado um profissional especializado em web analytics. Além de existirem bons softwares, inclusive gratuitos, que podem orientar os leigos nesse ramo.

Os editores de conteúdo precisam ter em mente a importância de analisar esses dados e que eles devem obrigatoriamente fazer parte do processo de planejamento editorial dos sites para alcançar bons resultados.

PUBLICADO POR

Marcelo Rebelo

Jornalista, relações públicas e pós-graduado em E-commerce. Prestou consultoria em comunicação social e virtual para o Senado Federal, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Programa Fome Zero, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Secretaria Geral da Presidência da República, Unesco e PNUD.

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