Agora a mídia portuguesa também quer exigir que o Google pague por suas notícias

Tudo começou com a briga entre o Google e a França, que se iniciou em 2012. Na ocasião, a mídia, com apoio do governo, mostrou interesse em exigir que o buscador pagasse para utilizar parte do conteúdo de seus jornais online nos resultados de busca – principalmente no Google Notícias, onde a empresa reúne as principais notícias sobre o assunto buscado.

Esta briga culminou em diversas discussões entre profissionais do mundo todo, levantou um ponto de interrogação nas principais empresas de mídia e chegou a quase resultar na remoção de todos os sites de notícia franceses do Google, como reportou o The Verge. O resultado desta briga foi um acordo milionário entre a empresa, o governo e as principais empresas de mídia francesas.

Agora, a mídia portuguesa também está se movendo em direção a esta discussão. O chefe da Confederação Portuguesa de Mídias de Comunicação Social disse recentemente à Reuters que já estão em conversa com o Google para resolver esta questão. O mais provável é que, assim como ocorreu na França, o Google se disponha a tornar a presença destas empresas mais lucrativa dentro da internet. Ou seja, o Google não paga para utilizar as notícias diretamente, mas é obrigado a investir mais dinheiro no país para compensar.

França é realmente um lugar muito politizado, sempre na vanguarda anti-Google.

França é realmente um lugar muito politizado, sempre na vanguarda anti-Google.

Para quem não lembra, todas estas histórias ao redor da Europa têm culminado em uma discussão muito semelhante dentro do Brasil, que inclusive teve o boicote de 154 publicações online afiliadas à ANJ (Associação Nacional de Jornais) no final de 2012. Segundo a associação, o Google Notícias não gera um tráfego satisfatório e a forma como ele exige as notícias (título, resumo e uma foto) afasta os leitores do site.

Estas histórias me lembram quando, no final de 2011, diversas empresas de telecomunicações ao redor do mundo sinalizaram interesse em fazer uma cobrança extra ou mesmo exigir investimentos em infraestrutura por parte de empresas que usam boa parte da rede (Google, Facebook, Netflix etc). Mas isto acabou saindo de pauta posteriormente, já que muitos alegavam que afetaria diretamente a neutralidade da rede, já que sites seriam tratados de formas diferentes.

E você, acha que o Google (e possivelmente outras empresas também) devem pagar por conteúdo que está sendo disponibilizado gratuitamente na internet?

PUBLICADO POR

Dennis Altermann

Fundador-Editor aqui no blog Midiatismo, trabalhando com marketing digital na DuPont Pioneer do Brasil. Entusiasta e estudioso nas áreas de comunicação, cultura, comportamento e tecnologias digitais.

Novidades e atualizações, direto em seu e-mail