A convergência midiática ao contrário #CirandaBlogs

O conceito de convergência midiática levantado por Henry Jenkins em seu livro Cultura da Convergência defende a idéia de que todas as principais mídias estão de alguma forma convergindo para a internet. Este conceito é plausível, mas também passível de ser o contrário, na verdade.

Seguindo a lógica de Jenkins, as principais ferramentas de mídia estão sendo substituídas de uma forma (mas não completamente) por serviços que funcionam dentro da internet. Já vimos os jornais sendo “substituídos” pelos blogs e redes sociais; as rádios AM e FM sendo substituídas pelas web rádios; e a televisão sendo substituída pelo vídeo (YouTube, Vimeo, etc). Mas sabemos que a realidade não é tão simples.

As mídias tradicionais estão de fato explorando o universo online de alguma forma, seja oferecendo o seu conteúdo nesta plataforma (grandes jornais que abrem portais de notícias) ou mesmo as rádios que disponibilizam a programação inteira através da internet. Mas não podemos esquecer que mesmo que a mídia esteja convergindo como um todo, ela ainda é controlada por pequenos grupos de pessoas que controlam grandes grupos de comunicação. As mídias estão convergindo, mas as opiniões ainda são as mesmas.

Portanto, como usuários desta grande rede, perceber está movimentação e cuidar para que as mídias tradicionais façam a convergência para as mídias sociais, onde todos temos espaço, e não apenas para a internet, onde o sistema idealizado de comunicação para todos acaba sendo ignorado. Portais de notícia onde apenas assinantes podem comentar (isso quando podem) são um exemplo desta convergência bizarra que enfrentamos.

Se há uma convergência em andamento, porque ainda somo tão multiconectados?

Se há uma convergência em andamento, porque ainda somo tão multiconectados?

Voltando a Henry Jenkins e o conceito básico da convergência das mídias, percebemos também que a internet é resultado de tudo o que aprendemos com as formas mais tradicionais de meios de comunicação que já passaram e hoje sofrem alterações. Não podemos acreditar – ainda – em uma convergência completa, pois sabemos que as mídias tradicionais ainda existem e vão estar conosco durante muito tempo, pois tem funções e características que a internet talvez nunca consiga atingir. Um exemplo claro disto é a abrangência da Internet, que ainda não chegou na metade dos brasileiros, ao contrário da televisão, que está em 99% dos lares deste país.

Mas se considerarmos que as várias mídias ainda estão convergindo para a internet, devemos lembrar que estes formatos estão se adaptando para fazer parte desta convergência ou para tentar atrasar o processo de convergência plena. Por exemplo, a televisão foi para a tela do computador e agora a tela do computador está indo para as smart TVs, olhando de uma forma simplista, é o ciclo da convergência se completando e voltando ao ponto inicial. Isto também fica mais evidente quando lembramos de blogs que viram notícia impressa; a utilização da tecnologia para criar algo antigo (Instagram e seus filtros vintage);

Esta discussão me lembra uma apresentação no Slideshare sobre a mudança de paradigmas que esta convergência traz no âmbito do marketing digital. Para marcas e empresas é um mundo comportamento novo e inexplorado, não por falta de tentativas, mas porque todo ano alguma coisa envolvendo tecnologia e internet altera como enxergamos o nosso consumidor.

[slideshare http://www.slideshare.net/dennisaltermann/marketing-digital-as-novas-mdias-mudando-a-relao-empresa-x-consumidor /]

Neste contexto de transformação de plataformas, também não devemos esquecer das tecnologias móveis que estão mudando novamente estes meios de comunicação. Apesar de ser basicamente a mesma internet, ela está sendo acessado de uma forma diferente e por isso exige adaptação. Nesta adaptação podemos incluir novamente a fotografia, vídeos, jornais, revistas, televisão aberta, rádios e praticamente qualquer mídia.

PUBLICADO POR

Dennis Altermann

Fundador-Editor aqui no blog Midiatismo, trabalhando com marketing digital na DuPont Pioneer do Brasil. Entusiasta e estudioso nas áreas de comunicação, cultura, comportamento e tecnologias digitais.

Novidades e atualizações, direto em seu e-mail