Vídeo Online: A tendência da década

Alguns dias atrás trouxemos aqui no blog as 6 principais tendências de mídias sociais para 2016, mas agora vamos aprofundar um pouco mais em uma tendência ainda maior: Produção de Vídeo Online. Todo mundo sabe da importância dos vídeos online para qualquer estratégia em mídias digitais, inclusive trouxemos isso um pouco em um recente post sobre Youtube vs a plataforma de vídeos do Facebook, pois o consumo de vídeo online está crescendo rápido e deve ser tão importante quanto a TV aberta no Brasil dentro de alguns anos, acredite você ou não. Talvez você não lembre, mas a não muito tempo atrás a estratégia de vídeos online das empresas eram apenas adaptações das campanhas da TV aberta, mas esta realidade está mudando.

Hoje existem produções específicas para meios digitais e, quem sabe em breve, veremos campanhas digitais sendo adaptadas para a televisão aberta. Na semana passada, durante a CES 2016 (Consumer Eletronics Show), um keynote do Robert Kyncl, responsável pela área de negócio do Youtube, falou um pouco sobre o mercado de vídeos trazendo dados interessante sobre como cresce e onde deve chegar esta mídia. Entre os tópicos abordados, ele falou da importância dos dispositivos móveis dentro do crescimento atual e também da grande tendência de produção de vídeos em 360° e realidade virtual para os próximos anos. A sua apresentação é fantástica, recomendo todos a assistirem (precisa dominar o inglês, infelizmente não achei versão com legendas):

Alguns dos pontos levantados por Kyncl se referem ao crescente aumento do consumo de vídeos online, não apenas do Youtube, mas de todas as plataformas digitais. Ele mencionou as pesquisas da Cisco que preveem que,** até 2019, 80% do tráfego online será de vídeos digitais** (em 2014 foram cerca de 67%) e que esse número pode aumentar para 90% se incluirmos vídeos baseados em P2P (Peer To Peer).

A pesquisa “The Zettabyte Era” mostra ainda outros dados interessantes relacionados ao aumento do tráfego vindo de vídeos, principalmente pelo crescente aumento de televisões conectadas a internet (smart TVs) e também pelo aumento da velocidade de conexão disponível em dispositivos móveis, possibilitando o consumo de vídeos em qualquer ambiente, a qualquer momento. Outro ponto levantado durante a apresentação do Youtube na CES 2016, é o declínio da TV por assinatura nos EUA, como mostra a pesquisa da Citi Research, e os dados da Teleco mostram algo muito semelhante em nosso país, como mostra a tabela abaixo. Claro que devemos lembrar que no Brasil a TV aberta ainda é gigante e muito maior do que a TV por assinatura, realidade um pouco diferente dos EUA.

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Imagem por: Teleco

Segundo dados recentes do IBOPE, no Brasil pelo menos, a audiência da TV por assinatura tem crescido, mesmo assim ainda é pequena – Apesar de, os números mais recentes terem mostrado uma queda no final de 2015. A TV aberta vem perdendo espaço, mostrando que no futuro as coisas podem ser ainda mais complicadas.

A “Segunda Tela” que tanto se fala, e que já falamos em 2013 quando falamos de Social TV, segue forte e crescente no Brasil, mostrando que não vamos ver a morte da TV tão cedo e que jamais os meios digitais devem substituir completamente os meios tradicionais de vídeos. Um dos fatores que mostra a importância deste meio atualmente, mas, que também colabora para isto, é que no Brasil, 70% do investimento publicitário ainda vão para televisão.

Mas qualquer um de nós, como consumidores de mídias, estamos vendo a grande mudança que estamos vivendo. A proliferação de ferramentas como o WhatsApp, Snapchat e Instagram, a evolução da plataforma de vídeos do Facebook, crescimento & investimento de serviços como o Netflix no país e a migração das empresas tradicionais para os meios digitais, mostram que estamos em meio a uma revolução completa da forma como consumimos conteúdo em vídeo.

Depois de pronto, o custo do vídeo só diminui Uma das grandes vantagens da produção de vídeos para meios digitais em relação TV e algumas outras formas de publicidade digital é o fato de o custo de produção se diluir com o tempo. Se você gastar R$10.000 na produção de um vídeo para a TV, terá um número X de pessoas que vão assistir, enquanto que nos meios digitais aquele conteúdo pode estar disponível para sempre e, a cada nova visualização, o custo se dilui ainda mais. Produções atemporais, aquelas que fazem sentido tanto no dia da publicação como meses ou anos depois, tendem a atrair visualizações eternamente e assim diluem o seu valor cada vez mais.

Pense em produções de vídeo online para qualquer meio. Outro ponto interessante para ser abordado é que o consumo de vídeos não vai apenas aumentar, mas se tornar cada vez mais centralizado em apenas uma plataforma. Antigamente as pessoas assistiam em televisores com pouca variação de tamanho. Hoje temos televisores de vários tamanhos, qualidades e funcionalidades diferentes. Também já se foi a época em que as pessoas assistiam Youtube apenas em seus desktops, hoje eles acessam por notebooks, smartphones, tablets, smart TVs e várias outras plataformas. Pense que as suas produções para o Youtube hoje podem ser assistidas em uma televisão de 60 polegadas e em um smartphone de 3 polegadas, ao mesmo tempo. O Youtube é multiplataforma, assim como toda a internet. Acessível a qualquer hora, de qualquer lugar.

O Facebook, que investe cada vez mais em vídeos, como comentamos anteriormente, é uma outra plataforma e que tem boa parte de sua base acessando diariamente através de dispositivos móveis. É mais uma plataforma, mais uma forma de consumir mídia, mais uma plataforma para ser avaliada durante a produção.

Vídeos nas mídias sociais continuará crescendo.

Vídeos nas mídias sociais continuará crescendo. via Edelman

E já que entramos no campo das plataformas sociais, não vamos nos esquecer dos vídeos curtos da dupla Snapchat e Instagram, que publicam diariamente milhões de vídeos curtos e chamam cada vez mais atenção das marcas, principalmente daquelas que trabalham com púbico mais jovem. Ferramentas como o Snapchat, justamente por sua estética pouco preocupada com a qualidade do vídeo, tem servido de plataforma de relacionamento entre os jovens. Uma forma rápida e fácil de interagir com os seus amigos, seguidores e, por que não, fãs.

Justamente por isso que o Snapchat tem mais de 6 bilhões de visualizações diariamente em suas fotos e vídeos. Enquanto isso, no Instagram, os vídeos tem tido mais engajamento do que fotos, o que pode aumentar a produção de vídeos dentro da plataforma. Plataformas de transmissão em tempo real como o Periscope e Meerkat também ganharam bastante notoriedade em 2015 e talvez consigam se consolidar em 2016. Ainda é muito cedo para dizer o quanto essa área irá crescer, mas certamente iremos ouvir falar muito destes serviços que conseguem integrar a demanda por vídeo, com a instantaneidade da internet que atraem consumidores e seus meios sociais que cativam os usuários a interagir e criar seu próprio conteúdo.

Vídeos ondemand.

As pessoas escolhem quando assistir. A grande diferença que o consumo de vídeos através de plataformas digitais como a internet traz em relação aos meios tradicionais como a televisão é a escolha. Com a TV aberta você assiste o que está passando, com a TV por assinatura você tem alguns filtros, mas apenas com a internet você assiste o que você quiser, a hora que quiser e onde quiser. Está liberdade de escolha e personalização é a base de serviços como o Netflix, serviço de séries e filmes sob demanda, que traz liberdade de escolha de conteúdo a um preço muito abaixo dos praticados pela TV por assinatura. Sem dados oficiais sobre o Brasil, uma pesquisa da eMarketer apontou que Netflix fechou com pelo menos 2,2 milhões de usuários em 2014. Mesmo sem dados mais recentes, eu chutaria que o serviço já passou facilmente das 3 milhões de assinaturas no país. A presença da empresa no país é tão grande que ainda em 2016 deve sair a série 3%, produção original da empresa e exclusiva para a sua plataforma de vídeos. As empresas de TV por assinatura, obviamente, não estão gostando disso.

As crianças não querem mais assistir TV. Como ressaltado por Robert Kyncl durante o 

keynote do Youtube, os jovens não querem mais assistir TV. Uma pesquisa encomendada pela Defy Media mostrou que os jovens entre 13 e 24 anos já gastam mais tempo consumindo vídeos online do que TV, pelo menos nos EUA. Mas no Brasil a coisa não parece muito diferente, pois, como publicado no Meio & Mensagem, das 20 celebridades mais citadas entre jovens de 14 a 17 anos em uma pesquisa recente, 10 deles são Youtubers ou vieram do Youtube, ou seja, os meios digitais estão criando as celebridades das novas gerações.

As 20 celebridades mais influentes entre os jovens brasileiros

Imagem por Meio & Mensagem

Em 4k, 360 graus e mobile. A evolução do vídeo online Dentro da tendências de vídeos online, existem três pilares que devem chamar bastante a atenção. Os televisores estão saindo de fábrica preparados para reproduzir conteúdo em 4k, qualidade superior ao HD e Full HD, assim como os smartphones que estão preparados para gravar e reproduzir vídeos nesta mesma qualidade. Os vídeos estão sendo gravados em 360 graus.

A VRSE é uma empresa focada em criação de matéria jornalísticas usando realidade virtual, se você possui um smartphone, baixe o aplicativo deles e assista vídeos gravados em 360 graus, é uma experiência diferente e que deve ser o futuro do consumo de conteúdo online. E claro, o mobile, já  que os dispositivos móveis estão cada vez mais capacitados a gravarem conteúdo em alta qualidade e, através de conexões de alta velocidade, reproduzir os vídeos nas mais altas qualidades.

VRSE, vídeo online em 360 graus.

Imagem por Vrse

Existe nicho para tudo Com a evolução da tecnologia as conexões ficam melhores e mais baratas, isso atrai mais gente e consequentemente aumenta o investimento em infraestrutura. O número de pessoas assistindo vídeos online vai apenas aumentar nos próximos anos e com isso se criam nichos cada vez menores e mais lucrativos, como ressaltamos antes.

Na TV aberta existem apenas alguns tipos de programas em alguns horários específicos, já na TV por assinatura, existem alguns canais para alguns nichos diferentes (jornalismo, esportes, culinária, viagens, etc), já na era do vídeo digital dentro da internet, há espaço para todos os nichos, tanto aqueles da TV aberta como coisas ainda mais específicas. Existem canais no Youtube sobre avaliação de brinquedos. Você já imaginou um canal assim, mesmo na TV por assinatura? Independente do ramo que a sua marca atua, provavelmente há um nicho procurando por conteúdo em vídeo relacionado a ele. Não pense que as pessoas não querem consumir vídeos sobre o seu produto. Sempre há alguém querendo assistir o que você tem para produzir.

TV do passado TV do presente TV do futuro?
TV Aberta TV Fechada Vídeo Online
Programas Segmentado Canal Segmentado Canal para qualquer nicho

Vídeos gravados na vertical são a próxima barreira

No artigo Vertical Thinking, George Davies explica como o crescimento e popularização dos smartphones está transformando a forma como consumimos conteúdo. Certamente as telas verticais dos smartphones e a popularidade de aplicativos como o Snapchat e WhatsApp estão moldando a nossa perspectiva de formato e fazendo a gravação vertical parecer mais natural – até porque ela se adapta melhor aos smartphones.

Estudos recentes, como o de Nic Newman, mostram que 1/3 dos vídeos consumidos nos EUA já são na vertical (eram 5% em 2010), da mesma forma que o Youtube viu um aumento de 50% no número de uploads na vertical em 2015. Lembra que eram ridicularizadas as pessoas que gravavam na vertical? Talvez elas estivessem apenas lançando tendência.

Here is what we know about who is expected to do well when 13 states head to the polls on Tuesday, March 1.

Publicado por Washington Post em Segunda, 29 de fevereiro de 2016


A forma de consumir conteúdo está mudando e até o final desta década teremos os vídeos online como uma das principais plataformas de marketing de conteúdo e também como a mídia que será responsável por consumir quase todo o tráfego da internet até 2020.

PUBLICADO POR

Dennis Altermann

Fundador-Editor aqui no blog Midiatismo, trabalhando com marketing digital na DuPont Pioneer do Brasil. Entusiasta e estudioso nas áreas de comunicação, cultura, comportamento e tecnologias digitais.

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