Seu Twitter na freqüência certa

Recentemente iniciei um trabalho junto a uma ONG – que considero de certa forma experimental, ainda que esteja encarando-o com muita seriedade. Essa atividade, que é realizada via Facebook e Twitter, requer mais do que contato e relacionamento, exige que a cada post seja transmitida uma mensagem de conscientização às pessoas conectadas àquela rede. A partir disso comecei a pensar sobre a freqüência e o tom dessas mensagens, quais as palavras que devem ser usadas, de forma que o perfil seja despojado (próprio dessas redes) e engajado (próprio de quem defende um causa). A questão parece simples, mas não é.

Estar nessas mídias sociais implica a busca por visibilidade. A disputa por espaço exige que se mantenha uma freqüência de posts para estar constantemente na timeline de quem segue, acompanha o perfil. Porém, as pessoas se chateiam quando não conseguem ver nada além das suas intervenções na rede. De fato muitas pessoas ainda seguem poucas pessoas no Twitter e Facebook, ou seguem pessoas não muito ativas. Essa característica faz toda a diferença quando se pensa em quantidade versus qualidade. Qual é a medida certa afinal? Como fazer para que o seu público não o ignore, não deixe de seguí-lo, ou como não sumir na timeline daqueles que têm suas redes em plena atividade?

Pensando nisso, como uma futura Relações Públicas, sei que o foco no relacionamento é prioridade, que conhecer o público é essencial. Mas, se existem as diferenças antes mencionadas, torna-se muito tênue a linha que nos aproxima ou nos afasta de um público e, se todos estão “misturados” na rede e não há como particularizar essas intervenções, a solução fica cada vez mais complexa.

 

Tenho observado que essa relação depende do grau de envolvimento da pessoa com a causa das páginas e twitters que ela acompanha, ou seja, a sua motivação. Por exemplo: existem aquelas pessoas que seguem um perfil do twitter para mostrar aos outros que ela tem bom gosto, ou que concorda com aquela idéia. São elas que têm menos atividades e podem incomodar-se com a quantidade de informações vinda de um dos seus contatos. Em outras situações, existem aquelas que acompanham pessoas ou empresas por total identificação e estão envolvidas com aquelas idéias, querem interagir e participar.

Diante dessa descrição, parece surgir uma solução óbvia: que o que interessa é interagir com essas pessoas que estão motivadas pela identificação e que esperam/almejam participar. Entretanto, quando lidamos com uma causa, como os ideais de uma organização não governamental, por exemplo, precisamos ir além das pessoas que já são “simpáticas” a causa, precisamos atingir também aqueles que não se identificam, que não se engajam, pois são eles que precisam ser conscientizados.

Como podem ver, essa é uma discussão sem previsão de término. Pesquisando nos blogs que tratam de mídias sociais, percebi que esse tema não é muito abordado, mas ainda não identifiquei o porquê. Será que estamos pulando uma etapa ao inserir um perfil no twitter, pensar em textos relevantes, querer atrair seguidores e causar algum impacto na rede sem pensar em como isso deve ser feito ou, o que as pessoas esperam de fato? Continuarei a busca por essas respostas.

PUBLICADO POR

Daniela Mattos

Estudante de Relações Públicas – UFRGS Atua como voluntária no Marketing Digital do Projeto Animais Respeito (@animaisrespeito) e acompanha interessadamente as mudanças provocadas pelas interações mediadas por computador.

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