Redes sociais ressuscitam a Gestão do Conhecimento nas empresas

Um conceito muito interessante, criado na década de 90, que andava muito sumido, a Gestão do Conhecimento ganha força e volta ser destaque no mundo corporativo com a entrada em cena das redes e mídias sociais nas empresas.

Nesse mundo globalizado, interconectado e em rápida transformação, onde os valores das empresas passam a ser intangíveis e o tempo para a tomada de decisões é cada vez menor, o capital intelectual passa a representar uma moeda valiosa e uma vantagem competitiva para o sucesso. É nesse contexto, que o conhecimento, ou melhor, a Gestão do Conhecimento ou KM do inglês Knowledge Management, se bem administrada, é um valioso recurso estratégico para o meio empresarial e cotidiano profissional das pessoas.

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O conhecimento sempre teve papel fundamental no desenvolvimento e, sobretudo na sobrevivência da humanidade. Entretanto, apenas “saber muito” a respeito de algo não traz, por si só, maior poder de competição para uma organização. É quando aliado a “sua gestão” que “o saber” faz toda a diferença, como explica o administrador de empresas e consultor de RH, Cássio Silva Ribeiro.

Segundo Ribeiro, a criação e a implantação de processos que gerem, armazenem, gerenciem e disseminem o conhecimento representam o mais novo e talvez o mais difícil desafio enfrentado pelas empresas nos caóticos dias atuais. Ele acredita que o capital intelectual é o combustível do mundo corporativo, mas, infelizmente muitas empresas ainda não entenderam isso. Ele ainda se surpreende em suas consultorias com o elevado número de empresários e gestores adeptos do modelo de comunicação de mão única.

Ribeiro conta que na década de 90, a Gestão do Conhecimento surgiu de iniciativas para armazenar e transformar em capital as idéias nascidas nas empresas. Assim, práticas como reuniões estruturadas de trabalho, cursos e palestras, programas de coaching e gestão eletrônica de documentos surgiram baseados nesses ideais. Infelizmente, grande parte das empresas que implantaram esses sistemas, nessa época, não obteve resultados satisfatórios e a falta de comprometimento dos colaboradores pela inexistência de uma cultura de compartilhamento foi uma das principais causas pelo fracasso.

Hoje os tempos são outros e ferramentas colaborativas bastante avançadas – redes e mídias sociais, blogs corporativos, chats, wikis, intranets – combinadas com uma mudança de cultura e uma motivação maior em partilhar não só dados pessoais, mas também conhecimento, oriunda pela banalização do uso das redes sociais, acabaram por conferir nova vida à Gestão de Conhecimento e o termo retornou com força total à rotina empresarial.

As empresas atuais consideram a discussão sobre aderir ou não às redes e mídias sociais como algo superado. Atualmente o debate dá-se em torno de como tirar mais vantagem competitiva delas, pois elas podem auxiliar as instituições, por meio da Gestão do Conhecimento, a trazer idéias inovadoras à tona e efetivá-las com muito mais rapidez.

Segundo o professor da Una/BH e coordenador de Projetos e Pesquisas da Cemig, Frederico Soares, as redes sociais são importantes ferramentas de interação, convívio virtual, negociação, comércio, comunicação, política, dentre outras possibilidades que surgem diariamente. Como conseqüência desse movimento, Soares nota que os especialistas têm tirado proveito dessas plataformas no ambiente empresarial para “energizar” a criação e a dinamização do conhecimento dentro das organizações. Na opinião dele é um novo paradigma que nasceu fora do ambiente empresarial e que, em muito pouco tempo, estará em nossas mesas de trabalho.

Soares também ressalta que as organizações precisam reconhecer que conhecimento tem origem nas pessoas e nas relações entre elas. A tecnologia é um fator importante, porque cria uma estrutura capaz de sustentar as ferramentas e as iniciativas do conhecimento, porém representam apenas um sistema de distribuição e armazenamento voltados para o conhecimento. O mais importante, na opinião do professor é criar e manter uma cultura de aprendizagem e intercambio de saberes que envolvam todas as camadas da organização. Nesse sentido, o maior desafio para as empresas, está no processo de criação de contextos facilitadores para esse fim, sejam eles de natureza física, virtual ou mental. É preciso antes de tudo na visão dele estabelecer uma cultura que seja mais tolerante a erros, que estimule o compartilhamento e que tenha o suporte da direção da empresa.

Em relação aos investimentos para a implantação de iniciativas de Gestão do Conhecimento, Soares explica que tais iniciativas devem ser patrocinadas pela direção das organizações e, consequentemente, precisarão de recursos e tempo para se desenvolver. Ele ressalta a necessidade de se trabalhar a estrutura, a cultura, as políticas internas e os sistemas de informação que darão suporte a esse processo. Tudo isso consumirá tempo e dinheiro e, dependendo do tamanho da organização, podem ser necessários investimentos consideráveis. Mas como qualquer iniciativa vital para uma empresa, o retorno é que tem que ser considerado quando se pensa em uma mudança nesse nível.

Por fim as redes e mídias sociais aliadas a uma boa política de Gestão do Conhecimento são ferramentas capazes de alavancar os negócios na medida em que tornam as organizações mais inteligentes, mais ágeis e mais adaptáveis a um mercado cada vez mais exigente e dinâmico. A Gestão do Conhecimento, nos tempos atuais, pode ser a única estratégia para que algumas organizações continuem sendo competitivas, ou até mesmo sobreviverem num mundo cada vez mais veloz, globalizado e interconectado.

PUBLICADO POR

Marcelo Rebelo

Jornalista, relações públicas e pós-graduado em E-commerce. Prestou consultoria em comunicação social e virtual para o Senado Federal, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Programa Fome Zero, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Secretaria Geral da Presidência da República, Unesco e PNUD.

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