Banner sobre Email Marketing

Marcelo Rebelo já escreveu 24 vezes aqui. É Jornalista, relações públicas e pós-graduado em E-commerce. Prestou consultoria em comunicação social e virtual para o Senado Federal, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Programa Fome Zero, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome e Secretaria Geral da Presidência da República. Hoje trabalha na Comunicação do Programa Segurança Cidadã da ONU.

Conheça os autores do Midiatismo →


Pelo fim da informação jornalística gratuita em prol de um jornalismo cada vez melhor

Cobrar ou não pelo conteúdo jornalístico online é uma questão polêmica que aflige 10 entre 10 especialistas em economia. Como fazer o internauta pagar por algo que pode ser obtido gratuitamente, sobretudo com a disseminação das mídias sociais? A Folha de São Paulo publicou no dia (16/11) uma elucidativa entrevista com o editor executivo do New York Times, Bill Keller, que trouxe luz para essa questão.

Keller foi o responsável pela implantação no jornal do mais discutido modelo de negócios para mídia do ano, o chamado pay wall’ ou ‘muro de cobrança’, em funcionamento desde março de 2011. Nele cada internauta pode ler gratuitamente 20 textos do “NYT” por mês. A partir daí, precisa ter uma assinatura, cujo preço varia de US$ 15 a US$ 35, de acordo com o pacote oferecido.

O ‘pay wall’ tem se mostrado um estrondoso sucesso. O ritmo de adesão de assinaturas ao portal tem sido de uma por minuto. Já são 335 mil assinantes, além dos 800 mil da versão em papel que também podem acessar a edição online do “NYT”. A informação foi dada pela diretora para América Latina, México e Caribe do New York Times, Isabel Sicherle, durante o Seminário Internacional de Jornais da Newsmedia Marketing Association – São Paulo (21 e 22/11).

exemplo paywall new york times Pelo fim da informação jornalística gratuita em prol de um jornalismo cada vez melhor

Creio que essa é uma tendência mundial e os veículos jornalísticos online vêm criando formas de cobrar pelo conteúdo. A versão digital do ‘Diário de Pernambuco’ libera algumas seções como ‘Últimas Notícias e Blogs’ e outras como ‘Política e Economia’ só assinantes podem ter acesso. Já a ‘Folha de São Paulo’ usa um artifício interessante, o leitor tem apenas um aperitivo, um resumo do texto à disposição. Caso queira ler a íntegra da matéria é necessário assinar o jornal ou o site UOL pertencente ao Grupo Folha.

Um dos pontos chaves de toda essa questão – tratada com muita propriedade por Bill Keller – é que a informação gratuita não passa de um mito, pois a produção de uma notícia tem um custo elevadíssimo. Segundo ele, não há como não cobrar pelo jornalismo investigativo que demanda tempo e exige advogados ao seu lado. Não é possível disponibilizar gratuitamente matérias feitas por correspondentes que precisam ir a lugares longínquos e perigosos. Ou mesmo o jornalismo local, que trata do que está acontecendo em nossa cidade, ninguém pode fazê-lo de graça.

Quem já trabalhou num jornal sabe muito bem que o editor do ‘NYT’ tem toda a razão, pois são muitos os recursos despendidos no longo e penoso caminho da pauta até a notícia publicada, seja no meio impresso como no virtual. Isto põe por terra o que muitos gurus da internet preconizavam que a informação em todos os seus formatos – inclusive o jornalístico – seria gratuita e circularia livremente.

Informação livre e gratuita há sim, mas de cunho jornalístico aí é outra questão. Não podemos confundir informação jornalística com opinião. Uma coisa é um texto produzido numa redação com todos os ‘custos’ e os critérios jornalísticos de ‘noticiabilidade’ e a outra é um texto opinativo de um blogueiro anônimo, que não arca com despesa alguma para produzir seus pontos de vista no seu computador. Essa diferença de custos e valores  faz-se presente até nos blogs, tanto que dois dos mais respeitados blogueiros do país Ricardo Noblat e Reinaldo Azevedo têm seus blogs hospedados em fortes veículos de comunicação como  ‘O Globo’ e “Veja’ e são remunerados pelo que produzem.

Nem mesmo as mídias sociais como Twitter e Facebook disseminadoras de conteúdo são capazes de substituir o jornalismo profissional como fonte geradora de informação. Não procuramos essas plataformas para ler uma notícia sobre a Primavera Árabe ou sobre a mais nova denúncia de corrupção na Esplanada dos Ministérios.  Elas apenas nos linkam para onde a informação foi produzida, ou seja, nos jornais.

O jornalista André Barcinsk, em post no seu blog, dia 20/11, foi muito preciso ao enfatizar a importância do jornalismo na produção informacional. Para ele, a internet mudou, de fato, a maneira como a informação chega às pessoas. Mas ele não crê que ela tenha mudado a maneira como ela surge. Ou seja: por mais que a web, os blogs e o Twitter ajudem a disseminar as notícias com uma rapidez impressionante, eles não teriam o que noticiar se não fosse o trabalho dos jornais.

Outra questão delicada é a confusão – muitas vezes deliberada – entre informação gratuita e pirataria. É comum encontrar textos produzidos por veículos de imprensa circulando na web sem autorização. É a velha técnica do copiar, colar e disseminar. Isto não é ético: na verdade trata-se de crime passível de punição.

Num ponto os especialistas econômicos concordam: mais cedo ou mais tarde as pessoas terão que se acostumar a pagar pelo conteúdo dos jornais online. É o que vem ocorrendo com as músicas digitais, antes pirateadas, mas graças a um bom trabalho de marketing, hoje as pessoas aceitam pagar por elas. Vide o Netfix que há pouco se instalou no Brasil.

No caso dos jornais online, os marqueteiros têm pela frente o desafio de colocar por terra -  o quanto antes – o mito de que a rede é fonte provedora de informação jornalística gratuita. O jornalismo de verdade aguarda ansioso por esse dia!

Posts relacionados:

Antes de deixar um comentário, tenha certeza de estar de acordo com a Política de Comentários.
  • Danilovilaca
    meu caro! vc ta achando que tá defendendo o seu interesse como jornalista, mas na verdade tá defendendo os grandes oligopólios da comunicação! Fique atento ! esse discurso só beneficia uma parte bem pequena da população, mas acho irrelevante te falar isso, já que vc deve concordar com isso, vc é de direita é neoliberal hehe!. No entanto, não se esqueça a liberdade que vc teve de publicar este artigo, vc poderá não tê-la no futuro.
    • http://twitter.com/mrebelo71 Marcelo Rebelo

      Caro Danilo, creio que você não
      entendeu o contexto do artigo. Em momento algum defendo no texto ‘os grandes
      oligopólios da comunicação’. A questão é que a informação para ser produzida
      tem um custo e é justo que os veículos de comunicação, quaisquer que sejam,
      cobrem pelo trabalho executado de levar o fato apurado até o conhecimento da
      opinião pública. Desconheço a sua formação profissional, mas, como jornalista, afirmo
      que a produção de uma matéria jornalística por mais simples tem um custo muito
      elevado.

      O curioso é que o seu discurso anticapitalista e contra o
      neoliberalismo é todo baseado e pautado em notícias que foram primeiramente
      veiculadas em grandes jornais como: The Guardian, Le Monde, New York
      Times, Washington Post e Financial Times, que
      amplamente têm noticiado as crises por quais passam as instituições financeiras
      dos grandes países.

      No mais, quero agradecer o seu
      comentário, apesar de termos pontos de vista bem discrepantes. Acredito que o
      debate de idéias é importante num regime democrático. A propósito, um dos meus
      próximos artigos talvez seja sobre o ‘vazio intelectual’ dos movimentos ‘occupy’.

      • Danilovilaca
        Qualquer um pode produzir conteúdo informacional de qualidade e relevante !
        Nós jornalistas temos que sair deste pedestal que nos coloca como detentores da verdade e da informação de qualidade. Não existe esta objetividade que você acha que o jornalismo propõe, toda informação tem cunho ideológico, inclusive (e principalmente) a dos veículos tradicionais que você julga que são os que resguardam o “cunho jornalístico”.
  • http://twitter.com/alves_nat Natália Alves
    Não discordo totalmente, pois acredito sim que todos os jornalistas devem ser bem remunerados. O Jornalismo não é brincadeira e não é uma tarefa fácil, principalmente o investigativo. Mas não concordo em cobrar um jornal online, todo ele, pois isso só irá aumentar as divisões no país, que tem muitas pessoas que não poderiam pagar, ou seja, a informação continuaria sendo propriedade de poucos e isso aumentaria mais ainda o gargalo entre as classes, o que, eu acredito, não é o que o Jornalismo almeja.
    Talvez a solução seria cobrar preços simbólicos e ganhar dinheiro com publicidade, links patrocinados, parcerias com anunciantes etc. Se as pessoas não tem como comprar o Jornal O Globo diariamente, quanto mais gastar por volta de 30,00 mensais para ler notícia na Internet.
    • http://twitter.com/mrebelo71 Marcelo Rebelo

      Olá Natália,
      pelo que depreendi do seu comentário, tudo indica que temos o mesmo ponto de
      vista. Você concorda que a informação produzida não sai de graça para o jornal,
      assim os proprietários têm todo o direito de criar formas para que esse
      trabalho seja remunerado. Citei o exemplo do ‘pay wal’, do NYT, mas seu exemplo sobre
      os ‘links patrocinados’ é também uma forma de cobrança e a meu ver muito justa e bacana.
      ‘Deveria ter citado esse exemplo no texto’. O fato concreto é que deve existir e é
      justificada que haja cobrança pelo trabalho de produzir a informação.

      Muito
      obrigado pelo seu ponto de vista.

  • Rafaelhbarroso
    De fato a internet 2.0 não mudou como algumas informações surgem, grandes meios continuam vendendo capas e matérias para as mesmas pessoas que em 89. Mas agora eles tem menos poder. Informação de qualidade é construída de forma comemorativa na rede.
    Como pode o Reinaldo Azevedo ser um blogueiro respeitado? De que mundo vc tá falando? Tá doidão?
  • http://www.twitter.com/tatianatenuto Tatiana
    Compartilho desse ponto de vista. No entanto, o sucesso dos modelos de negócios na internet de jornais como New York Times, Washington Post e Financial Times se deve ao conteúdo que eles oferecem. Duvido que esse sucesso aconteça no Brasil. O conteúdo oferecido pelos veículos brasileiros atualmente não vale nem uma assinatura de 99 centavos, basta abrir agora os sites dos principais jornais e comparar. A apuração é rasa, há pouca reportagem e informação de qualidade. O que se vê é uma profusão de “notícias” provenientes de tuítes de celebridades e notícias sem pé nem cabeça, como “gafanhoto faz pose para foto”. Eu olho para esse conteúdo (que domina os portais e as redes sociais) e me pergunto: é por esse conteúdo que quero pagar? Óbvio que não. A mídia brasileira está se arriscando ao priorizar o clique em vez da relevância da informação.
    • http://twitter.com/mrebelo71 Marcelo Rebelo
      Oi
      Tatiana, também compartilho do seu ponto de vista. Na entrevista à Folha, Bill
      Keller, do New York Times deixa bem claro o que você expôs. O modelo pay wall
      somente deu certo devido à qualidade informacional do que é veiculado no
      jornal.

       

      Concordo
      plenamente que o nosso jornalismo passa por um processo claro de indigência
      informacional, sobretudo, o de entretenimento. Inclusive, há algumas semanas
      atrás, esse foi o tema de um artigo que fala sobre tudo isso do qual você
      discorre.

       

      Muito
      obrigado pelo seu ponto de vista, todo comentário tanto positivo como negativo é
      importante e bem vindo.

  • Fernando12
    Engraçado, você diz que sem a mídia tradicional os blogs não teriam o que publicar, quando hoje, jornais como o New York Times copiam descaradamente artigos produzidos por blogs e sites independentes, como o Huffington Post e a Gawker Media.
    • http://twitter.com/mrebelo71 Marcelo Rebelo
      Olá Fernando, sim eu sustento minha afirmação de que sem as mídias tradicionais os blogs não teriam o que publicar. O Huffington Post e Gawker Média são raríssimas excessões e não a regra e você sabe bem disso. É fato que blogs já furaram jornais e isso vai continuar ocorrendo ainda mais num momento em que a comunicação hoje flui de forma simétrica por meio da rede. Entretanto, os jornais, tanto no impresso como virtual, continuam a exercer de maneira forte a ‘agenda setting’ na opinião pública.
      Mais uma coisa dizer que o “NYT” copia ‘descaradamente’ artigos produzidos por blogs e ‘sites independentes’ é demais.
      Gostaria de agradecer o sua participação, apesar dos pontos de vista discordantes, e dizer que comentários como o seu é que me motivam a escrever de forma tão opinativa.
  • http://www.dennisaltermann.com.br/ Dennis Altermann
    Queria apenas fazer um comentário como “O editor”, primeiro avisando que o ponto de vista do autor não reflete diretamente o ponto de vista do Blog, apesar de eu concordo com bastante informações trazidas no texto.

    Acho que informação gratuita não existe e nem nunca vai existir, alguém está pagando por isso (diretamente ou indiretamente). Acho que, como já comentaram, os jornalistas as vezes acabam subindo em um pedestal (como ocorre em qualquer profissão, é normal).

    O bom jornalismo com certeza vai precisar de investimento e de dinheiro, mas apenas a exploração de publicidade (pelo menos como conhecemos) não sera o suficiente para manter uma estrutura. Mas é claro que, como a mídia é hoje, a publicidade é receita fundamental para o funcionamento. (Ninguém vive só de pagamento de assinatura).

    Um ponto que eu discordo bastante, mas posso ter interpretado errado, é quando o Marcelo fala que blog não vai dar a informação completa sendo uma mídia que trabalha de graça. Eu teria que discordar e fazer uma observação. Blogs, em geral, não substituem a “mídia tradicional”, seja jornal, revista ou TV, são mídias sociais (não apenas porque é moda) porque são construídas em cima do que a pessoa tem para dizer, são opiniões, textos pessoais mesmo. 

    O jornalismo, de uma certa forma, deve ser mais informativo e quem sabe até imparcial, apesar de que a imparcialidade é tão relativa que nunca vai existir.

    Acho o texto muito interessante para trazer a discussão. Só lembrando que, mesmo existindo o “Netflix” (e outros serviços) a pirataria existe a níveis extremos ainda.

    As pessoas só vão pagar pelo conteúdo online quando elas acharem que o fato de pagar traz alguma informação a mais. Como alguns já comentaram, muitas das “grandes mídias” que estão online, escrevem exatamente a mesma coisa que blogs (até os pequenos) estão escrevendo.

  • http://twitter.com/agah_design Hugo Oliveira
    Concordo em parte quando você diz que sem os jornais, os blogs não teriam o que publicar.  Alguns blogs são pautados pelos jornais, como também ao contrário ocorre, talvez não com muita frequência mas ocorre. Outros blogs fogem totalmente ao conteúdo do que estão na pauta principal dos jornais: uns falam sobre psicologia, curiosidades, coaching que podem interessar muito às pessoas.
    Eu pagaria para ter acessado sim a notícias, mas somente no caso de algo específico, como por exemplo tecnologia ou ciência. Pagar para ter acesso às notícias gerais, creio que os jornais deva utilizar outras ideias para garantir seus recursos. Enquanto muitos pagam à Folha, UOL, Estadão… outros preferem ler o Conteúdo Livre. Isso é informação gratuita/pirataria ou é realmente clipping? Eles estão burlando o processo? Mas quando um jornalista produz um blog de boa qualidade é jornalismo profissional ou mera opinião?
    • Marcelo Rebelo

      Olá Hugo, vamos por partes. Sobre a primeira parte, em relação aos
      blogs, estamos de pleno acordo. Os blogs são na verdade um tipo de diário onde
      as pessoas publicam assuntos variados de seu interesse. Existem muitos blogs
      bons que fogem á pauta diária dos jornais como você citou muito bem.

      Sobre a questão do pagamento ao acesso às informações nos jornais além
      dos exemplos que dei, muitos adotam outras formas. Como o caso dos links
      patrocinados, no qual as informações são todas liberadas para leitura em troca de
      divulgação de propaganda na página. A meu ver, essa é uma boa solução.

      Agora não sei se entendi bem ao que você se refere quando diz acesso a “conteúdo
      livre”. No caso você citou três coisas diferentes, vou tentar explicá-las.
      A
      primeira ‘informação gratuita’ é a notícia que está liberada na rede para
      leitura, pode ser uma notícia de um jornal online, uma nota de um blog, uma
      pesquisa, um artigo, enfim tudo que é informação que não precisa ser paga para
      ser consumida. Como exemplo as notícias publicadas no Blog Midiatismo. Já
      pirataria é quando uma pessoa pega uma
      notícia de um jornal sem autorização e a dissemina
      na rede. Muitas pessoas possuem blogs informativos com notícias coletadas nos
      principais jornais. Em muitos casos, a pessoa muda algumas palavras no texto e
      o publica como sendo de sua autoria. Já clipping é o resultado final de um
      processo de comunicação. Após um evento o jornalista faz uma varredura nos
      veículos de comunicação para saber o que saiu na mídia sobre o evento dele.

      Geralmente quando um jornalista cria um blog ele é utilizado como canal
      para ele exercer a sua opinião. Veja o exemplo do jornalista Reinaldo Azevedo
      de Veja, quando ele produz uma matéria para a revista ele segue uma pauta da
      revista e se atém a escrever conforme o que foi apurado. Já no blog dele, ele
      expressa todas as opiniões pessoais que ele tem em relação a fatos do dia a
      dia. Mas, um blog também pode ter notícias informativas como matérias, no caso
      do Huffington Post.

      Espero que tenha conseguido esclarecer as suas dúvidas. Obrigado pelo
      comentário.

       

      • http://twitter.com/agah_design Hugo Oliveira
        Olá Marcelo! Talvez eu não fui claro quanto ao “Conteúdo Livre” que citei. Eu me referi ao blog Conteúdo Livre. Por isso a pergunta: o conteúdo é clipping ou pirataria? Se existem esses meios gratuitos de que o acesso à informação tem de ser livre porque eu vou querer pagar? Justamente a pergunta que você faz no primeiro parágrafo.

        Eu sei que os jornais precisam de recursos, mas quis fazer um contra-ponto com essa ideologia existente com o conteúdo pago, entendeu? Não é porque eu tenho acesso a um artigo/matéria gratuitamente que o mesmo vai deixar de ser um jornalismo profissional.

        Outro ponto que eu considero importante: os jornais hoje cobram pelo acesso online não somente pelos custos de reportagens, mas também pela mudanças trazidas pela tecnologia: Tablet 3G, smartphones são exemplos de aparelhos que posso ter acesso aos conteúdos dos jornais em qualquer lugar. Houve mudanças no comportamento das pessoas com o avanço da tecnologia.

        Quantos às mídiais sociais:
        Vamos supor que surja um página no Facebook  de um jornal que não exista impresso e nem tenha uma versão online. Nem sei isso é permitido, segundo as regras do FB, mas continuemos na suposição: esse jornal, em sua página, possui um jornalismo profissional, o seu conteúdo é todo produzido e divulgado no Facebook como textos, fotografia… ele é bem produzido (conforme as limitações que página lhe oferece) e começa a ter credibilidade por parte das pessoas.

        Chegou a um ponto que as pessoas começaram a buscar essa página desse jornal para se informar, no caso, o que ocorre aqui é a disseminação da informação em uma mídia social, sem precisar da mídia tradicional. O que eu quero dizer é que é muito perigoso falar, que as mídias sociais não podem substituir jornalismo tradicional. Você imaginou que o JB deixaria de ser impresso algum dia? Creio que não, mas aconteceu… Hoje as pessoas querem participar, querem interação, antes eu apenas poderia mandar uma carta somente para a redação de um jornal e ainda teria o risco de ela não ser publicada.

        Eu particularmente não acesso a Folha.com, Estadão e outros digitando http://www... em minha barra de endereço do navegador. Eu chego a todo as eles por meio das mídias sociais, sendo assinante ou não. Eu não vejo as mídias sociais sendo somente um replicador de links, mas também geradores de conteúdos, concordo que muitos deles não tem um perfil profissional e compromissado, pois tem muito lixo na internet, porém por outro lado a internet também lhe oferece muitas coisas bacanas.

        • Marcelo Rebelo
          Oi Hugo… veja bem sobre o blog “Conteúdo Livre” eu não conheço, então não irei opinar sobre ele. Mas ainda continuo discordar na questão de que as mídias sociais podem substituir os jornais profissionais.
          No último parágrafo, você mesmo diz que chega aos jornais tradicionais por meio das mídias sociais. E foi isso que afirmei no artigo, as mídias como FB, Twiiter apenas nos linkam aos veículos tradicioanais. O Twitter não produz conteúdo, ele nos leva aos que produziram conteúdo como blogs, jornais e revistas.
          Agora a questão principal do artigo é o fato de que não é possível a produção de conteúdo informacional gratuito. Quem produz tem que receber de alguma maneira e acho que nesse ponto concordamos.
  • Cristianmom
    gente eu ja uma operadora não valer nada, mais a oi e demais… tenho duas horas tentando falar com um atendente e não consegui. ele faz de nos cliente de cachorro isso e um absurdo…

    ja estou cansado dessa safadesa…

    • http://www.dennisaltermann.com.br/ Dennis Altermann
      Recomendo procurar o Procon :)
  • Webert Machado
    Acredito que a cobrança de posts por cliques jornalísticos profundos e amplos, com baixo custo de acesso ao conteúdo total, deva ser o novo ingrediente do jornalismo em TI. Na medida em que o assunto seja de interesse a um leitor específico, que pagaria por tê-lo, e são muitos milhares na multidão, a economia de escala será o fator surpreendente que manterá o faturamento das grandes mídias impressas – que ainda assim o serão (impressas) ainda por algum tempo, de ter receitas suficientes para implementar novas políticas comerciais de vendagem de tiragens, ou cliqjues ,em TI!
    É como ler o jornal somente naquilo que nos interessa. Vira-se a página e paga-se por excesso de conteúdo sem interesse para um leitor específico.
    É como também prefeituras e governos anunciarem altos CPM’s atingindo regiões sem sua influência, mas pela qual pagam por anunciar em mídias de massa de grande abrangência.
    Exemplo?: A Prefeitura de Juiz de Fora MG anunciando para públicos de Muriáe MG em função do sinal da mídia TV atingí-la no sinal de transmissão, mas sem nossa influência administrativa direta. É CPM alto! Todos ouvem o que não lhes interessa.

    Em sentido contrário, a cobrança por cliques lidos, acessados e escolhidos (ou CPM’s) e em escala talvez seja a alternativa econômica viável em futuro próximo. Será?!

  • GC
    Sou economista, trabalho na área de Web Analytics de um grande grupo de comunicação no país e também sou blogueiro nas horas vagas. Tenho alguma experiência no assunto e sei das dificuldades do mesmo, tanto é que, até hoje, o NYT é um dos únicos a adotar o modelo de cobrança, também conhecido como “milhagens ao contrário”, por cobrar de quem mais lê o jornal. O assunto é complexo, mas importante. É necessário ter a cabeça aberta para discutir esse assunto. Informação FREE é possível, mas jornalismo investigativo FREE, não. Quem acha isso, não sabe o que fala… não sabe quanto custa uma foto do tsunami no Japão ou da guerra no Iraque, comprada pelos grandes jornais e disponibilizadas gratuitamente. Produzir conteúdo investigativo, cobrir um grande evento, acompanhar meses um caso e conseguir um grande furo de reportagem custa caro, e muito. Normalmente essas matérias geradas a alto custo são as que desvendam tb grandes roubos, desvios de verbas públicas e, acima de tudo, contrapõe os dois lados da moeda antes de publicar (com alguma exceções). Não acredito no modelo do NYT no Brasil, mas acredito que invariavelmente os jornais/sites brasileiros passarão a cobrar pelo conteúdo online. Nenhum negócio saudável é deficitário por muito tempo. Eu acredito que o brasileiro irá amadurecer e em alguns anos entenderá a diferença entre conteúdo free e pago, assim como isso começa acontecer na indústria musical, por exemplo. Eu gostaria muito que as pessoas discutissem esse assunto de cabeça aberta e sem barreiras ideológicas e dogmas, pois simplesmente chamar quem defende uma posição de neoliberal, esquerdista, marxista ou capitalista não levará o assunto adiante, como deveria acontecer.
    • Marcelo Rebelo
      Caro GC, concordo plenamente com suas considerações. Creio que você foi um dos poucos que conseguiu entender o ponto central do artigo que trata-se da impossibilidade de se produzir informação jornalística de forma gratuíta. Como você bem disse nenhum negócio saudável pode ser deficitário por muito tempo. Acho a discussão muito positiva e mais cedo ou mais tarde como na indústria fonográfica as pessoas terão que aceitar a pagar pela informação consumida. Muito obrigado pelo ponto de vista.