Não é apenas (insira seu produto), são os momentos. #cpbr9

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Para abrir o palco Criatividade: Mídias Sociais aqui na Campus Party Brasil #cpbr9, uma palestra com Bruno Telloli, responsável no Brasil por criar as playlists mais populares do Spotify. Bruno, que já vem da indústria da música em seus trabalhos anteriores, falou um pouco sobre o seu trabalho no Spotify, um dos maiores serviços de streaming de música da atualidade, apresentando para onde a plataforma está evoluindo e também como é o seu trabalho de criação das playlists e interação com os usuários da plataforma nas mídias sociais.

O serviço hoje conta com mais de 75 milhões de usuários, sendo 20 milhões assinantes, segundo informações do palestrante. Um usuário consome em média 148 minutos de conteúdo todos os dias, mais da metade através de seus smartphones. Há hoje 2,5 bilhões de playlists criadas dentro da plataforma, mas mesmo assim as playlists criadas por Bruno e a sua equipe fazem muito mais sucesso que as outras. Mas por quê?

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Durante a palestra ele mostrou diversos cases de playlists criadas por ele e sua equipe e comentou como é o processo de criação, interação nos meios sociais e como fica a recepção por parte dos usuários. Podemos relacionar os passos para o sucesso de qualquer playlist com a maioria das ações para meios digitais, pois possuem uma base muito semelhante: Timing, Tentativa e Erro e Feeling. Como ele comentou durante as perguntas, o seu trabalho é uma mistura de mídia responsiva, que está sempre relacionada ao contexto, e feeling, que seria o conhecimento e sensibilidade de criar conteúdo que seja interessante e relevante para os usuários.

Bruno contou como foi o processo de criação de playlists que envolvem um evento recente ou momentâneo e como isso é fundamental para o sucesso das listas. Falou do caso do WhatsApp, por exemplo, que em 2015 ficou fora por 48 horas, motivando ele a criar uma playlist de 48 horas “para você ouvir enquanto o WhatsApp está fora“. A lista foi um sucesso imediato. Assim como a playlist “O Pedido”, que foi criado para o Dia dos Namorados e não era relacionada ao conteúdo das músicas, mas sim ao fato de o título delas, dentro da playlist, montar um pedido de namoro.

Outra ação interessante foi a playlist #CaleAHomofobia, que fazia parte de uma ação com outros meios de comunicação que iriam veicular músicas de artistas homossexuais (ou ligados a causa) durante todo o dia. A playlist seguia esse mesmo modelo e tinha valor social, além de conseguir ligar um problema social com o negócio da empresa, que é música. Em 2015 o Spotify se envolveu em outras ações sociais, como o #AbracaMariana, com música com temas relacionados a esperança – a playlist tinha links para pessoas doarem para ONGs e instituições que estavam ajudando no desastre de Mariana, um dos maiores desastres ambientais da história.

Bruno comentou, que não adianta apenas escolher as melhores músicas, mesmo o negócio central do serviço sendo música, é necessário saber qual nome dar a cada playlist e qual a imagem será utilizada para dar destaque. Ele comentou de playlists que, apenas com a troca de nome, dobram de número de seguidores e reproduções. Acho que uma grande lição para qualquer negócio digital é saber que as vezes, apenas o título de chamada de um anúncio, publicação ou landing page pode alterar completamente o resultado daquela ação. Não tenha medo de mudar ou experimentar novos títulos ou formas de explorar a sua marca.

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Estande da Spotify durante a Campus Party Brasil #cpbr9, uma experiência musical e de realidade virtual.

Ao final da palestra ele comentou um pouco sobre como o Spotify vê o mercado de conteúdo nacional, comentando que quando veio para o Brasil, cerca de 15% do conteúdo reproduzido era local e hoje esse número já passa dos 35%. Boa parte disso é relacionado a grande entrada de artistas nacionais na plataforma, o que atrai ainda mais usuários.

Ainda durante as perguntas, alguém levantou a polêmica com a Taylor Swift, que removeu todas as suas músicas do serviço de streaming no ano passado. Com ajuda de Roberta, que trabalha na área de relação com as gravadoras e a indústria,  eles comentaram da importância de grande ícones na plataforma, mas que o caso de Swift tem relação com o modelo “freemium“, onde você não paga para usar, mas tem o pagamento libera funcionalidades melhores – ou seja, pessoas podem escutar gratuitamente as músicas, mas não tem acesso a todas as funções. E, levando em conta que 80% dos usuários pagos utilizaram  o serviço gratuito antes, remover o serviço gratuito não é uma opção para o Spotify.

Em resumo, o grande sucesso do Spotify se da pelo fato de as suas ações estarem relacionadas a um contexto, e não exatamente ao “meme do momento”, mas ao contexto em que as pessoas estão vivendo. O sucesso não está apenas nas playlists da queda do WhatsApp ou do pedido de namoro, isso é marketing, a grande parte dos usuários está usando as playlists curadas por Bruno. As pessoas querem playlist para trabalhar a noite, playlist pronta para festas, playlists para descansar….. elas dão valor aquilo que entende o contexto delas.

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Publicado por

Dennis Altermann

Fundador-Editor aqui no blog Midiatismo, trabalhando com marketing digital na DuPont Pioneer do Brasil. Entusiasta e estudioso nas áreas de comunicação, cultura, comportamento e tecnologias digitais.