Entendendo a Orkutização. O que é, como surgiu e por que se fala tanto?

Observação: Última atualização: 15 de Abril de 2012. Post Original: 28 de Março de 2010

O termo “orkutização” não é bem claro e apesar de comum muita gente talvez não o entenda perfeitamente o que ele quer dizer. Resolvi então fazer um post que para muitos pode parecer ‘bobo’, mas porque não tentar explicar e entender melhor o que é a “orkutização” que tanto se fala?

Este termo está diretamente ligado ao Orkut, obviamente. Para entender um pouco melhor o termo, precisamos entender um pouco melhor o contexto da rede social no Brasil. Com o lançamento do Orkut pelo Google em 2004, e sua tradução para o português em 2005, o serviço se tornou muito popular dentro do Brasil em pouco tempo, chegando ao ponto de o Google passar o controle do serviço para a Google Brasil, já que quase metade do seu público se encontrava aqui desde aquela época.

Sem nenhuma explicação aparente o Orkut se disseminou em praticamente todas as classes sociais e econômicas, muitos estudiosos atribuem tal fato a explosão da inclusão digital dentro do país na mesma época. Acredita-se que a popularização do Orkut nas classes econômicas mais baixas se deve ao fato de a internet não diferenciar o usuário, tornando todos iguais e desta forma, quem está nas classes mais baixas tende a querer se sentir dentro da “elite”, que era quem acessava a rede social no começo, principalmente antes de ser traduzida para a língua portuguesa.

 

O aumento de usuários das classes mais baixas trouxe para as redes sociais pessoas com menos estudo e com um estilo de vida muito diferente das pessoas da “elite“, que antigamente eram as únicas a terem acesso a computadores e internet.  Lembrando que eu não estou aqui para fazer julgamento e quero evitar levantar preconceitos, apenas fatos. Podemos lembrar aqui que foi justamente nesta época, entre 2002 em diante que tivemos a explosão da classe econômica denominada como “classe C”, que graças a leis de incentivo fiscal, tiveram acesso a tecnologias até então restritas.

O termo “orkutização” é complicado de definir. Subentendesse que a adesão do Orkut por pessoas “sem cultura” ou “sem educação” INDEPENDENTE DE CLASSE ECONÔMICA trouxe para dentro desta rede diversos problemas geralmente atribuídos ao “povão”, como assassinatos ao português, perguntas que demonstram um baixo nível de escolaridade, pessoas com educação menos ‘refinada’, comentários ignorantes e por aí vai. Eu sinceramente acredito que a maioria destes problema não seja coisa de ‘povão’.

Podemos, por lógica, entender que ‘orkutização’ pode ser uma forma de utilizar as palavras “Orkut” e “Povão” em um mesmo termo, o que simplifica a situação.

E porque isto aconteceu com o Orkut e não com o Facebook? A diferença entre eles é o modo em que foram construídos. O Orkut foi criado para todas as pessoas enquanto o Facebook começou como um projeto universitário que foi crescendo. Quando liberado para todos, o Facebook não se tornou popular no Brasil logo porque muitos aplicativos e ferramentas ainda eram (e alguns ainda são) em inglês e por alguns outros pequenos fatores. Hoje em dia o Facebook vem crescendo cada vez mais dentro da américa latina, o crescimento de usuários no Brasil é cerca de 10% a.m.. Sabemos hoje que o Brasil já é um dos 3 principais países dentro da rede social. E diversos fatores da ‘orkutização’ já são vistos nesta e em outras redes sociais também.

Agora quando alguém falar em “orkutização” de algum outro serviço, você pode saber o que está acontecendo.

Algumas coisas são baseadas nestes posts de outros blogs, que recomendo serem lidos também:

PUBLICADO POR

Dennis Altermann

Fundador-Editor aqui no blog Midiatismo, trabalhando com marketing digital na DuPont Pioneer do Brasil. Entusiasta e estudioso nas áreas de comunicação, cultura, comportamento e tecnologias digitais.

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  • Igor

    Concordo plenamente. Nesse últimos anos estamos vendo uma espécie de “boom” da inclusão digital no Brasil, então a classe D começou a “invadir” o Orkut, trazendo com ela algumas características “ruins” como as que você havia citado: “assassinatos ao português, perguntas idiotas, pessoas mal educadas, comentários ignorantes”.

    Isso fez com que a grande parte da classe C, e a maioria das classes B e A, deixassem o Orkut. A evasão dos usuário do Orkut ocorreu ao mesmo tempo em que houve uma repercussão mundial sobre o Facebook (graças ao filme, às manifestações no Oriente Médio, etc), fazendo com que os “fugitivos” do Orkut fossem parar no Facebook. A evasão da classe A,B e C depois da invasão da classe D na minha opinião ocorreu por puro preconceito, já que é o usuário que escolhe o seu ciclo de amizade e as comunidades da qual quer participar, etc. Ocorreu um pensamento tipo: “Não vou ficar fazendo parte de uma rede social na que os pobres estão se associando.” Mesmo que ninguém seja obrigado a virar amigo do pobre, simplesmente porque: “o pobre entrou na rede, então eu tô saindo”. Entenderam meu ponto de vista?Explicando a divisão da sociedade por classes A, B, C, D e E:classe A = Super ricos, multimilionários, bilionários.classe B = Ricos, milionários, grandes empresários.classe C = Um pouquinho ricos, bens-de-vida, micro empresários, médicos, advogados, etc.classe D = Pobres, ganham 1, 2, até 3 salários mínimos, as vezes passam dificuldade financeira, mas muitos já tem internet em casa.classe E = miseráveis, passam fome, não tem onde cair morto, etc.Por fim, parabéns pelo texto, Dennis.

  • O Orkut acabou sendo um bode expiatório desta situação por ser a “rede do momento” quando a internet cresceu muito no Brasil. Outro fator é que, naquela época, certas coisas você não podia “bloquear” ou “deixar de seguir”, etc, o processo de ‘remover usuário da sua lista de contatos’ era um pouco mais complicado.

    Temos que cuidar para não achar que é culpa do brasileiro por ser inferior, como já sabemos, o brasileiro tem mania de se diminuir.

    Não podemos esquecer que nos EUA os problemas semelhantes também existem, estão inclusive no Facebook, assim como estavam no MySpace, etc. Lá, ao que sabemos, não há um termo específico para a situação como temos aqui.

  • Há de se registrar que o Orkut não foi criado pelo Google e nem trazido pela empresa ao Brasil em em 2004 / 2005. O criador da rede social realmente era empregado do Google, mas se dedicou ao projeto no tempo livre que tinha para desenvolvimento pessoal. Segundo o próprio Orkut (o nome do engenheiro é este mesmo, pois isso batizou a rede social) “O Orkut nasceu como um projeto pessoal e por isso não tem a “cara” do Google”. Ou melhor, não tinha até 2007, quando ele esteve no Brasil e deu esta declaração.
    Daí para a frente, sim, com a integração do Orkut aos serviços Google, o “monstro” foi criado.

    • Ele foi criado dentro do “tempo livre” que os funcionários do Google tem, onde, até onde lembro, qualquer produto criado sempre é da casa. Claro que o criador tem muitos direitos sobre o produto/serviço, mas no fundo ele sempre foi do Google.

      E quando falo “vir ao brasil” é na questão de oferecer suporte a língua portuguesa e etc 🙂

  • Juliana

    …Ledo engano é pensar que “orkutização” é SOMENTE coisa de gente pobre ( membros das classes C e D ).
    Ninguém quer admitir, mas todo mundo sabe que tem muuuiiito classe média trucidando a
    língua portuguesa e postando baixaria ou asneira sem nexo no Facebook.
    Gente que, “não se sabe como” saiu dos mais bem requisitados colégios particulares e frequentaram boas universidades. Muitas vezes, essas criaturas sabem inclusive falar outras línguas, exceto a portuguesa, claro! Um absurdo sem tamanho.
    Vamos abrir os olhos para enxergar a realidade!