O hiperlocal vem se tornando a principal vedete nas rodas de conversas entre especialistas de comunicação. Por quê? Bom, talvez cansados de uma abordagem de globalização que os assuntos acabaram tomando nos últimos 15, 20 anos e por conta da proliferação de diversos discursos acerca do que acontece num mundo sem fronteiras, o público esteja um pouco saturado das informações que recebe sobre a realidade que não lhes é vivida.
A “bairrização” da informação está ganhando novos adeptos. Essa tendência visa a estimular o cidadão comum a exercitar um pouco mais o seu papel de cidadão. Informando situações que ocorrem em diversas localidades, prestando assistência sobre problemas oriundos de seu bairro, relatando a falta de segurança em determinadas regiões. Isso sempre existiu mas as plataformas digitais agora vem influenciando para que a participação colaborativa do internauta e seja muito mais ativa.
O hiperlocal não precisa exatamente desse contexto para crescer. Ele também pode ser usado para se divertir. Se utilizarmos as novas ferramentas geolocais para isso nós ampliamos potencialmente essas situações e quando adicionamos as redes sociais, percebemos que seu sucesso é quase imediato.
E as redes sociais (ou seus criadores) vêm percebendo isso. O Cromaz é a mais nova integrante desse sistema. A rede social que entrou no ar há cerca de um mês no Rio de Janeiro baseia-se na experiência da hiperlocalidade – trocando em miúdos, é uma rede social feita para você e sua vizinhança.

Funciona da seguinte forma, você se cadastra informando seus dados e endereços (que fique claro que o sistema não expõe esses dados abertamente o que poderia trazer perigos em potencial ao usuário), o sistema então faz uma varredura local e lista pessoas que morem próximos de você com qual você poderia fazer amizade, mas que você por alguma razão não conheça.
Durante o início dos anos 2000, diversos psicólogos informaram que o avanço tecnológico deixaria cada indivíduo sozinho, sem manter contato com seus pares na região em que vive só buscando contatos virtuais. Talvez o hiperlocal venha ser uma resposta a preocupação desses estudiosos que acreditaram que a tecnologia poderia ser um inimigo das relações humanas.



