Anonymous 1 x 0 Estado Islâmico

É animadora a notícia de declaração de guerra virtual do grupo de hackers Anonymous contra os facínoras do Estado Islâmico (EI).

Nessa batalha, o grupo de hackers Anonymous saiu na frente ao afirmar na última terça-feira (17/11) que mais de 5,5 mil contas no Twitter ligadas ao EI foram derrubadas. A ação ocorreu um dia após o grupo declarar guerra aos jihadistas.

Os hackers declararam guerra ao Estado Islâmico, na última segunda-feira (16/11), em retaliação ao ataque terrorista que matou 129 pessoas em Paris.

Um estudo recente dos Estados Unidos identificou pelo menos 46.000 contas da rede social Twitter ligadas a apoiantes do Estado Islâmico, das quais três quartos utilizam a língua árabe.

Depois da grande propagação de imagens violentas e aterrorizantes do EI, não só os hackers do Anonymous, mas as redes sociais aumentaram os esforços para excluir este tipo de conteúdo e banir utilizadores ligados ao grupo. Contudo, o Estado Islâmico não se dá por vencido e vem procurando novas ferramentas online para espalhar o terror virtual e pior, arregimentar adeptos para a sua jihad assassina.

Depois de serem banidos das redes e mídias sociais mais populares, os jihadistas do EI rapidamente migraram para as redes sociais menos populares e com um controle menos efetivo.

Foi isso o que ocorreu com a rede social criada pelo polonês Mariusz Zurawek. O site de relacionamentos justpasteit.com não exige registro ou conta, com o objetivo de facilitar a postagem de fotos e vídeos. Para surpresa do criador, sua rede social passou a ter vários acessos do país da Síria. Zurawek ficou animado com a presença de usuários de língua árabe na página até perceber que o conteúdo dos vídeos apresentavam assassinatos e decapitações.

A guerra virtual está declarada e Washington também já prepara seus exércitos para o combate. O anúncio foi feito pelo secretário de Defesa norte-americano Ashton Carter, que advertiu para o novo desafio de enfrentar “os primeiros terroristas das redes sociais”.

“O Estado Islâmico é um fenômeno novo. São os primeiros terroristas das redes sociais, tal como a Al-Qaida foram os primeiros terroristas da Internet”, disse Ashton Carter na segunda-feira (16/11), numa conferência organizada pelo diário “The Wall Street Journal” em Washington.

O marketing virtual do Estado Islâmico é ardiloso e bem feito, pois nem só de terror e imagens escabrosas vive a campanha na internet. Um dos exemplos partilhados pelos radicais é o de um kit com os utensílios mais importantes para educar mulheres no sentido de serem as companheiras ideais dos jihadistas. A conta Fundação Zora, promotora do ‘curso’, foi eliminada do Youtube. Em vídeo, e também por meio de dicas no Twitter e no Facebook – contas que também foram removidas –, o grupo divulgou tutoriais desde primeiros socorros a costura.

O objetivo era mostrar às mulheres que elas devem ter ou adquirir competências como ajudar os combatentes feridos em batalhas, coser, produzir conteúdos e editá-los para divulgar as mensagens do grupo radical, usar armas e cozinhar para os maridos.

Além dos hackers do Anonymous outros grupos têm, se organizado na rede para combater o marketing virtual jihadista. O Serviço Europeu de Polícia (Europol) criou recentemente uma unidade de combate ao cibercrime com foco em figuras-chave que publicam milhares de ´tweets` e gerem contas com o intuito de atrair potenciais ‘jihadistas’ para o Iraque e Síria, assim como recrutar noivas para ‘jihadistas’.

Após a deteção de conteúdo extremista, a empresa que gere a rede social será informada, e a conta encerrada no espaço de horas disse o diretor da Europol, Rob Wainwright, em declarações à agência AFP

O aumento da propaganda dos jihadistas por meio das redes sociais é uma realidade preocupante a ser levada muito a sério e sobretudo combatida. Por isso, o engajamento dos hackers do Anonymous na guerra contra a propaganda virtual jihadista deve ser comemorada e que seja um incentivo para que outos grupos façam o mesmo.

Três vivas para o Anonymous!

Imagem por Plato’s Guns

PUBLICADO POR

Marcelo Rebelo

Jornalista, relações públicas e pós-graduado em E-commerce. Prestou consultoria em comunicação social e virtual para o Senado Federal, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Programa Fome Zero, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Secretaria Geral da Presidência da República, Unesco e PNUD.

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